Pacientes e acompanhantes do Hospital Regina Pacis, em Porto Velho, denunciam uma situação de escassez e má qualidade da água fornecida na unidade de saúde. Adquirido pelo Governo do Estado de Rondônia em maio de 2020 por R$ 12 milhões, o hospital, que deveria ser um reforço estrutural para o sistema estadual, tornou-se alvo de graves reclamações sobre falta de higiene e infraestrutura precária.
De acordo com relatos em áudio e vídeo enviados ao Rondoniaovivo, o problema tem gerado desespero nas alas de internação. Um dos denunciantes afirmou que a cisterna do hospital aparenta não ser lavada há mais de dois anos. "É falta de água direto aqui", desabafou.
A situação atinge níveis críticos de saúde pública no caso dos pacientes que aguardam procedimentos cirúrgicos. A denúncia aponta que muitas pessoas estão sendo levadas para a sala de cirurgia sem sequer poderem tomar banho, por conta da falta d'água nas torneiras. "O povo tá tomando banho com álcool, passa álcool no pano e molha o corpo para desinfetar", relatou uma pessoa que acompanhava a rotina no local.
Quando há água disponível para uso, a qualidade é considerada repulsiva. Imagens mostram que a água utilizada para os banhos de leito e consumo possui uma coloração intensamente barrenta. Além disso, a água do bebedouro foi descrita com forte "gosto de ferrugem", forçando os internados e seus familiares a dependerem de ajuda externa ou a consumirem água contaminada.
Contraste com o investimento estadual
O cenário de precariedade sanitária destoa completamente das promessas feitas pelo Governo de Rondônia à época da compra da unidade. O Hospital e Maternidade Regina Pacis foi comprado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e pago em três parcelas, com o objetivo inicial de servir como retaguarda do Cemetron durante a pandemia da Covid-19.
Na ocasião, a atual gestão estadual ressaltou orgulhosamente que o imóvel havia passado por uma rigorosa avaliação técnica de terreno e infraestrutura, conduzida pela Caixa Econômica Federal, Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Superintendência Estadual de Patrimônio (Sepat) e pelas próprias equipes de engenharia do Estado.
Apesar das avaliações que validaram o negócio milionário, a realidade enfrentada hoje por quem depende do hospital revela a privação do recurso mais básico para qualquer intervenção médica: água limpa.
A reportagem do Rondoniaovivo tenta contato com a Sesau, a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) e a direção do Regina Pacis quanto à manutenção emergencial das cisternas e ao restabelecimento do fornecimento contínuo de água potável no local.