A arquiteta de Porto Velho, Rhuana Ribeiro, de 35 anos, viveu uma experiência marcante no último dia 18 de outubro, ao participar do Ironman 70.3, realizado em Jurerê, Santa Catarina. Após 11 meses de preparação, a rondoniense encarou um dos desafios mais exigentes do triathlon, que reúne natação em águas abertas, ciclismo e corrida em uma única competição.
Em entrevista ao Rondoniaovivo, Rhuana contou como surgiu o interesse pela modalidade, os desafios enfrentados durante a preparação e a emoção de concluir uma prova de grande magnitude, que exigiu disciplina, resistência física e, principalmente, força mental.
O Ironman 70.3, conhecido como meio Ironman, corresponde à metade da distância de um Ironman completo. Ao todo, são 70,3 milhas, equivalentes a aproximadamente 113 quilômetros, distribuídos em três etapas: 1,9 quilômetro de natação em águas abertas, 90 quilômetros de ciclismo e 21,1 quilômetros de corrida.
Da recuperação dos joelhos ao desafio do triathlon
A participação de Rhuana na competição foi resultado de uma trajetória construída gradualmente. Integrante da assessoria esportiva Team Noguez, ela começou pela corrida e, aos poucos, passou a considerar desafios maiores. A decisão veio mesmo depois de enfrentar uma cirurgia nos dois joelhos.
"Nunca havia participado. Faço parte de uma assessoria esportiva Team Noguez, e aos poucos a curiosidade foi crescendo, comecei com a corrida, fiz 21km no Rio de Janeiro de 2024 depois de ter operado os dois joelhos, em segui me inscrevi para o 70.3 e desde então a rotina era voltada para prova", relatou.
A partir da inscrição, os treinos passaram a fazer parte de praticamente todos os dias da arquiteta. O objetivo era chegar à competição preparada para enfrentar as três modalidades e concluir o percurso com segurança.
Mais do que buscar um tempo específico, Rhuana estabeleceu metas pessoais que considerava fundamentais para a experiência.
"Meu objetivo na prova foi cumprido! Manter o controle, não acelerar antes do tempo, não me acidentar e não parar apesar das dores. Não tinha meta de tempo, eu precisava mesmo terminar sã e salva."
A emoção de cruzar a linha de chegada
Durante a competição, Rhuana procurou aproveitar cada momento. As fotografias registradas ao longo do percurso mostram uma atleta sorridente, mesmo diante do esforço físico exigido por uma prova dessa dimensão.
"Muitas fotos apareço sorrindo porque realmente me diverti e quando lembrava onde estava pensava 'que loucura, estou aqui, tá acontecendo...'", contou.
A experiência também trouxe uma reflexão sobre as razões que levam alguém a se submeter voluntariamente a um desafio tão intenso. Segundo ela, durante a preparação, ouviu diversas vezes questionamentos sobre a escolha de participar de uma prova como essa.
"Muitas vezes escutei a seguinte pergunta 'pra quê isso?' e a resposta só vem depois que a prova acaba. Com choro da chegada a memória de quem enfrentou 11 meses de treinos, com a vida acontecendo, sou amadora, não tenho patrocínio e minha profissão passa longe de ser atleta."
Para Rhuana, a linha de chegada representa apenas uma parte de uma jornada muito maior. O verdadeiro desafio está nos meses de preparação, quando é necessário conciliar trabalho, compromissos pessoais e uma rotina intensa de exercícios.
"Encaixar a rotina e manter a disciplina é o mais difícil, a prova é linda, a cereja do bolo, a parte mais fácil. Difícil mesmo é levantar de madrugada quando ninguém vai te aplaudir, com sono, dor de cabeça, cólica, sem vontade, por um propósito só seu e todo esforço físico é convertido em uma mente mais forte."
A arquiteta também destacou como a experiência contribuiu para fortalecer sua confiança e mudar a maneira de encarar os desafios cotidianos.
"Quem manda no corpo é a cabeça, expor o físico a algo extremo é dizer para si mesmo que você pode muito mais e aplicado na vida os sonhos parecem mais perto do que longe", afirmou.
Preparação envolveu acompanhamento médico e mudança física
Embora a força mental tenha sido um dos pontos centrais da experiência, Rhuana ressaltou que a preparação para o Ironman 70.3 exigiu cuidados com a saúde e acompanhamento profissional. Ao longo dos 11 meses, ela passou por avaliações médicas, acompanhamento nutricional e planejamento esportivo.
A rotina incluiu consultas com ortopedista para receber liberação após as cirurgias nos joelhos, endocrinologista e três cardiologistas, além de acompanhamento com nutricionista. A atleta também fez reposição de vitaminas e utilizou suplementação dentro do planejamento de preparação para a prova.
"Até agora só falei de manter a cabeça no lugar, mas nesses 11 meses fui muito saudável, tendo acompanhamento médico, repondo vitaminas, suplementação e dieta acompanhada. Passei por ortopedista para alta dos joelhos, endócrino, três cardiologistas, nutricionista (perdi 7kg e ganhei muita massa magra mesmo comendo muito) além da assessoria esportiva."
Os resultados também apareceram na composição corporal. Segundo Rhuana, durante o processo, ela perdeu sete quilos e ganhou massa magra, mesmo mantendo uma alimentação compatível com as necessidades de uma rotina de exercícios intensos.
A organização dos treinos foi outro aspecto fundamental. A planilha estabelecida pela assessoria esportiva orientava as atividades ao longo de toda a semana, sem pausas regulares entre os dias de treinamento.
"Minha planilha de treinos ditava uma rotina de exercícios de domingo a domingo, sendo 4x na semana dois treinos por dia", explicou.
A rotina exigiu planejamento e disciplina para conciliar os exercícios com a profissão de arquiteta e as demais responsabilidades da vida cotidiana. A preparação não se limitou ao condicionamento físico, mas envolveu cuidados contínuos para que ela pudesse enfrentar o percurso com mais segurança.
Rondônia representada na competição
Além de Rhuana Ribeiro, outros dois atletas de Rondônia participaram da competição em Santa Catarina. Rafael, de Rolim de Moura, e uma promotora de Justiça de Ouro Preto do Oeste também representaram o estado no desafio esportivo.
A presença dos rondonienses na prova demonstra como o triathlon reúne participantes de diferentes profissões e trajetórias, que encontram no esporte uma oportunidade de superar limites pessoais.
Para Rhuana, a conclusão do Ironman 70.3 representa muito mais do que completar 113 quilômetros. É o resultado de quase um ano de dedicação, cuidados com a saúde, renúncias e persistência para alcançar um objetivo que, inicialmente, poderia parecer distante.
Ao cruzar a linha de chegada, a arquiteta levou consigo a experiência de ter enfrentado um desafio que exigiu tanto do corpo quanto da mente. Uma conquista que, segundo sua própria reflexão, mostra como a disciplina construída durante a preparação pode ultrapassar as fronteiras do esporte e se refletir em outras áreas da vida.