50%: Filme mostra o câncer sob a ótica da esperança e do humor - Por Marcos Souza

Filme é inspirado em fatos reais

50%: Filme mostra o câncer sob a ótica da esperança e do humor - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
Pode um filme ser simples, direto, com uma premissa séria, dolorosa e tão específica em relação à abordagem que se torna leve, reflexivo e com um humor tão orgânico por causa de um único personagem? Pode, pode sim. O filme “50%” (50/50 - 2011), inspirado em fatos reais, cujo roteiro é baseado na experiência de vida do próprio roteirista, Will Reiser, tem esse poder. E como funciona bem.
 
Conquista pelo olhar sentimental, por vezes denso, permitindo que o protagonista, Adam (numa interpretação perfeita de Joseph Gordon-Levitt), seja levado a uma jornada de dor, perda da razão de viver e conhecimento de si próprio como um aríete, não uma vítima contumaz de uma doença cruel: o câncer.
 
 
“50%” tinha tudo para ser um filme piegas, melodramático e clichê sobre a dor de um jovem jornalista de rádio pública, Adam Lerner, de 27 anos, entrar em crise após ser diagnosticado com um tumor cancerígeno grave na coluna vertebral, identificado como “schwannoma neurofibrossarcoma”. O choque inicial ao descobrir a doença e depois tentar compreender as razões que levam um homem jovem, que não fuma, não bebe e tem uma vida saudável, a sofrer com esse mal.
 
Mas não é dessa forma que o diretor do filme, Jonathan Levine, junto com o roteirista Will Reiser, desenvolvem essa trama peculiar e que, mesmo sob uma ótica realista do tratamento e das pessoas em volta do personagem principal, consegue inserir um humor inteligente e nefasto (no bom sentido) quando o melhor amigo de Adam é Kyle (com o ator e comediante Seth Rogen em estado de graça e sensacional), uma pessoa que não consegue ficar e nem ser triste, é afiado, sempre atento, com uma personalidade extrovertida, fiel à dor do amigo que sofre com o câncer, mas o faz acreditar que essa fase pode ser vista de um ângulo menos sofrido e com um astral melhor.
 
Adam, após descobrir que está com um tumor cancerígeno, avisa a sua namorada, Rachael (a ótima Bryce Dallas Howard), uma artista plástica que mora com ele em sua casa, junto com o seu melhor amigo, Kyle, que não gosta muito da moça. Enquanto ele tem um temperamento leve, coerente e tranquilo, o diagnóstico acaba lhe causando um tormento sobre a morte e a vida. Principalmente quando descobre que a sua chance de sobreviver é de apenas 50% (o que dá título ao filme).
 
 
Diante das possibilidades de entrar em depressão e sofrer com as consequências emocionais e fisiológicas do tratamento com quimioterapia, ele vai fazer terapia com uma analista novata, Katherine (a maravilhosa Anna Kendrick), terapeuta que vai aproveitar as consultas com Adam para realizar a sua tese de doutorado no hospital.
 
O início é complicado pela falta de trato dele com suas emoções e faz com que não se abra muito sobre os seus medos. A situação só vai entrar sob controle depois que ele conta para a mãe, Diane (Anjelica Huston, excepcional), que é superprotetora e entra em desespero, pois já tem o pai de Adam, que sofre de mal de Alzheimer.
 
Mas são as peculiaridades da vida de Adam, com seus dramas e encontros casuais nesse processo de tratamento, enquanto sofre com os reveses da recuperação que parece inviável, que vão moldando o filme com uma intensidade ocasional. Quando ele descobre um segredo da namorada que transforma a sua vida, ou ainda quando, no hospital onde faz tratamento, ele faz amizade com dois senhores, Mitch (o veterano Matt Frewer) e Alan (Philip Baker Hall), dois pacientes mais velhos com câncer que também estão fazendo quimioterapia, e eles se tornam amigos a partir da partilha de doces, macarons, que têm o uso de um ingrediente particular.
 
Essa relação de amizade vai mexer com ele em determinado momento e vai ser ponto crucial na sua terapia com Katherine, que pode seguir duas vertentes e vão mexer com a sua vida pessoal.
 
O amigo Kyle, em muitos momentos, se torna a sombra vívida do alívio desses momentos tensos e particulares de Adam, criando um vínculo com o bom humor. Os diálogos de Seth Rogen nos embates imprevisíveis de seu personagem são impagáveis. Aliviam mesmo o escopo que poderia ser pesado e tão triste da vida de Adam, pois ele compreende que é o amigo quem permite refletir, em alguns momentos, que ele pode sobreviver e ter paz com as pessoas que circulam à sua volta.
 
Quando Adam descobre que o tratamento com a quimioterapia não tem mais efeito, a sua única esperança é uma cirurgia de risco para a retirada do tumor da sua coluna, que pode resultar em uma nova vida ou no seu fim. Lidar com essa chance real de sobrevida ou morte vai lhe dar gatilhos que o levam a refletir sobre o seu futuro. O preço a ser pago gera decisões que ele vivencia como possibilidades inalcançáveis, mas lhe dão uma meta de querer viver.
 
 
O filme é considerado uma comédia dramática, mas eu não radicalizaria tanto, pois, ao mesmo tempo em que aborda um tema real e pesado como o câncer, tem um elã audacioso ao apresentar uma trama que por vezes é inocente e pueril, mas flui tão bem que você, como espectador, acredita nas sequências de riscos apresentadas pela vida que o protagonista vive, sua relação de amizade, familiar e até mesmo com o seu cachorro de estimação, a quem ele se apega ainda mais, e espera uma resolução, no mínimo, satisfatória. Mas, às vezes, a vida prega peças... más ou boas. 
 
Assista. É um filme para abraçar com carinho e um sorriso no canto da boca ao seu final.
 
“50%” está disponível no catálogo do serviço de streaming da Netflix. É um filme de orçamento relativamente baixo, mas que fez certo sucesso de público na época do seu lançamento, rendendo três vezes mais e com uma média de 93% de aprovação entre os principais críticos norte-americanos, nas plataformas agregadoras que mensuram avaliações (como o Rotten Tomatoes).
 
Apesar de o filme ter sido ignorado pelo Oscar, foi muito bem no Golden Globe Awards daquele ano, quando foi indicado para Melhor Filme e Melhor Ator entre Comédias ou Musicais, e se destacou no Independent Spirit Awards, com indicações para Melhor Filme, Roteiro e Atriz Coadjuvante — para Anjelica Huston — e venceu o prêmio de Roteiro Original pelo National Board of Review.
 
Triste foi o que aconteceu no Brasil, pois o filme não chegou a entrar na programação dos cinemas, sendo lançado aqui direto em DVD, sem qualquer alarde, virando um sucesso das locadoras graças ao boca a boca e, depois, quando foi exibido na programação televisiva.
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site