O primeiro é “Ao Cair da Noite, que mistura dois gêneros, drama e suspense, num ambiente claustro-fóbico e aberto, com uma proposta muito interessante a partir de uma pandemia global que gerou uma espécie de pós-apocalipse.
O outro, “Gaiola Mental”, já é um filme de ataques de um serial killer que comete crimes, assassinan-do pessoas, de maneira artística, deixando suas vítimas com roupas e acessórios únicos. Envolve um ajudante detetive problemático e um antagonista doente. Esse segundo filme é uma dica de ”EVITE ESSE FILME”.
Sim, enquanto eu recomendo um o outro é escrevo apontando que é bom evitar, pois a premissa é ruim, a conclusão bem decepcionante. Acompanhe, são indicações diretas e explico o motivo dessa distinção - e dou spoiler do segundo filme (mas aviso antes no texto).
Sigamos:
AO CAIR DA NOITE
Quando eu terminei de assistir "Ao cair da noite", longa escrito e dirigido por Trey Edward Shults, que está disponível na Netflix, fiquei chocado.
O filme mostra uma família que mora numa casa grande dentro da floresta e ela tem as janelas e portas seladas. Logo no início vemos um idoso contaminado por uma doença estranha e altamente contagio-sa. Ele é sacrificado e queimado numa vala.
O mundo vive uma pandemia, um apocalipse viral, que mudou o comportamento das pessoas que podem morrer imediatamente caso se contamine. Por isso essa família, formada por Paul (Joel Edger-ton), Sarah (Karmen Ejogo) e o adolescente Travis (Kevin Harrison Jr.), pai, mãe e filho, respectiva-mente, estão isolados e seguem regras rígidas para não pegar essa doença, que em nenhum momento é identificada, mas mostra os sintomas como olhos escuros, feridas e tumores na pele e muita febre.
Ninguém pode sair a noite e durante o dia cuidam do abastecimento de água, comida e provisões, estocando o que podem naquele espaço que vivem.
Tudo muda quando numa noite uma pessoa, Will (Christopher Abbott), tenta invadir a casa e é conti-da. No outro dia após ser preso a uma árvore por Paul ele conta a sua história, com uma esposa e filho de oito anos escondidos numa fazenda próxima.
Logo em seguida fecham um acordo e vão resgatar toda a família. Em troca Paul fica com duas cabras e seis galinhas.
Todos vão morar com família de Paul, seguindo as regras.
A casa é quase uma personagem, com os corredores apertados, ou espaçado demais. A sensação as vezes é de claustrofobia, deixando um sentimento de solidão e desesperança. A fotografia natural, com o uso de pouca luz deixa tudo mais realista e cru.
A partir daí o filme mostra a relação entre eles e como lidam com regras e o medo, com isso criam se algumas situações, vão surgindo consequências e que levam todos a para um clímax violento.
O adolescente, desde a morte do avô e com a chegada dessa nova família, passa a ter pesadelos e so-nhos cada vez mais reais que parecem a premonição de algo ruim que vai acontecer.
Pronto é isso. Em determinado momento vai ocorrer uma virada que vai desgastar a relação entre to-dos e que culmina numa sucessão de erros que causam pânico e desespero até deixar bem claro que nada vai bem e tende a piorar.
O final é violento, seco e traz toda a carga emocional do sufoco, do medo que a pandemia dessa do-ença causa nas pessoas a ponto de perder a percepção da humanidade em vista de não querer se con-taminar e sobreviver nesse mundo miserável que se encontra.
O filme é de 2017, mas o tema continua atual. Da mesma produtora A24 que tem na bagagem filmes premiados como "A Bruxa", "Ex-machina" e "Moonlight".
Muito bem feito, com ótimo elenco, tem um impacto final desconcertante, amargo e triste.
GAIOLA MENTAL
Esse é um filme policial que tem pretensões para o suspense, dirigido por Mauro Borrelli, que escreveu a história, segundo ele de forma “original”, que o escritor Reggie Keyo-hara III adaptou para o roteiro do filme.
A pretensão do diretor em chamar o enredo dessa história como “original” gerou esse filme incrível. Incrivelmente ruim.
O enredo é sobre um Copycat, assassino em série que imita outro no modus operandi. Uma detetive e o seu parceiro - vivido pelo ator Martin Lawrence dos filmes “Bad Boys” - , sem pistas dos crimes e quem pode ser o assassino, resolvem consultar o serial killer que serviu de inspiração e está preso nu-ma prisão de segurança máxima, o ótimo John Malkovich, num papel claro para ele pegar o cachê e quitar dívidas com o agiota - só pode, para justificar a sua presença nessa bomba.
A policial então tem encontros com o serial preso para conseguir informações e pistas do seu imitador. Qualquer semelhança com o clássico "O silêncio dos inocentes" é sim mera cópia.
O diretor Borrelli diz ser um grande fã de filmes desse gênero e chegou a citar "Seven" além do clás-sico que apresentou ao mundo Hannibal Lecter em sua essência.
Mas esse filme aqui é daquelas coisas canhestras que beiram a vergonha alheia num nível surreal. A começar pelas vítimas, que são encontradas fantasiadas, maquiadas num estilo art decor extremamente delicada e de luxo. Ou seja, uma trabalheira para preparar o corpo depois de matar totalmente sem sentido.
Segue todos os clichê do gênero no pior sentido.
O ator Martin Lawrence, gordo e irreconhecível, que ficou famoso por ser parceiro de Will Smith nos filmes "Bad Boys" e de comédias como "A Vovozona" (clássico da Sessão da Tarde), faz um papel sério e dramático, o parceiro da policial detetive. Um desastre.
Agora a resolução final do filme e a revelação de quem é o assassino...
É das coisas mais absurdas, hilariantes e o cúmulo do ridículo.
Vai um spoiler...
REPETINDO esse filme é um drama policial de suspense e não é comédia.
S P O I L E R (continue por conta e risco):
No final o serial killer preso e consultor dos policiais revela ter poderes sobrenaturais, ele é um artis-ta e consegue desenhar as pessoas e projetar a sua mente nelas para serem avatares seu e fazer o que quiser fora da prisão. Então vem o grande plot twist, a revelação chocante do assassino que o imita. É o policial, feito por Martin Lawrence, parceiro da detetive, que nas horas vagas mata suas vítimas e as produz como manequins de luxo sob o comando do veterano assassino.
Sem mais. Evite!