Presa em 21 de maio deste ano durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, a influenciadora Deolane Bezerra é alvo de uma investigação que apura lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Documentos do Ministério Público analisados pela reportagem do iG, revelam um salto nas movimentações financeiras de suas contas, empresas e familiares, que ultrapassaram R$ 140 milhões em créditos e débitos.
Além de Deolane, também foi preso, na época, Everton de Souza, conhecido como Player, apontado pelas autoridades como operador financeiro do PCC. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, que é considerado um filho de criação por Deolane, também foi alvo de busca e apreensão.
Denúncia do Ministério Público
Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, além de Deolane e Everton, também são citados Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola; seu irmão, Alejandro Juvenal Camacho; e os filhos de Alejandro, Paloma Sanches Camacho e Leonardo Alexsander Camacho, sobrinhos de Marcola.
Como tudo começou
Segundo o Ministério Público, todos os denunciados, a partir de 2018, em local incerto e com atuação em Presidente Venceslau, município que fica no extremo oeste de São Paulo, constituíram e integraram a organização criminosa voltada à prática de crimes de lavagem de capitais, vinculada às atividades ilícitas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda de acordo com a denúncia, eles ocultaram e dissimularam a origem e a propriedade de valores provenientes, direta ou indiretamente, de infrações penais antecedentes relacionadas à organização criminosa e ao tráfico de drogas.
Os acusados passaram a ser investigados após agentes de segurança penitenciária apreenderem uma grande quantidade de cartas na caixa de esgoto da Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, em Presidente Venceslau. A apreensão ocorreu em 23 de julho de 2019 e serviu como ponto de partida para as investigações.
Em uma das cartas apreendidas, os investigadores identificaram referências a um suposto projeto de expansão internacional do PCC. Segundo o documento, a facção planejava ampliar suas operações de tráfico de drogas para a Europa, com foco na Holanda, Espanha e Turquia, utilizando os portos de Santos (SP) e Fortaleza (CE) como pontos estratégicos para o envio de entorpecentes.
Na carta estava escrito:
“Situação é a seguinte, já foi acertado, o Temer não vai fechar mais no progresso, a situação é tudo com nós e o Giba. Temos um novo projeto pra mandar mercadoria para Europa. Novas caminhadas, inclusive vamos meter marcha na Holanda, os contatos são importantes, Espanha e Turquia vão continuar na mesma batida. Esse projeto não pode parar, a engrenagem vai continuar a mesma. Sobre a situação da Sofia e Rita temos analisar, vamos liberar essa moeda. A situação de Fortaleza e Santos temos que fechar de forma que não chame a atenção, pois lá são os locais dos principais fortalecimentos.”
Após a apreensão dos bilhetes e a análise do material, os investigadores identificaram um suposto esquema operacional da organização criminosa. No entanto, um dos pontos que ainda precisavam esclarecer era a identidade de uma pessoa mencionada nos manuscritos como "a mulher da transportadora".