O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que viajará aos Estados Unidos para discutir os desdobramentos da possível classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo norte-americano.
Em entrevista à CBN, Durigan declarou que a medida possui um caráter “mais político do que técnico” e destacou a preocupação do governo brasileiro com possíveis impactos sobre o sistema financeiro nacional e o ambiente de negócios do país.
Segundo o ministro, um dos principais receios é que eventuais sanções ou interpretações unilaterais dos Estados Unidos possam atingir mecanismos financeiros brasileiros, incluindo o Pix. Ele defendeu a proteção da soberania financeira nacional e afirmou que informações utilizadas pelos americanos não teriam sido previamente compartilhadas com as autoridades brasileiras.
Durigan também ressaltou que o combate ao crime organizado já é prioridade do Estado brasileiro e que as atividades do PCC e do Comando Vermelho foram tema de diálogos anteriores entre técnicos dos dois países.
A movimentação ocorre enquanto autoridades norte-americanas conduzem uma investigação comercial sobre práticas brasileiras, com conclusão prevista para julho de 2026. O processo avalia temas econômicos e regulatórios que, segundo o governo brasileiro, podem servir de instrumento de pressão política e comercial.
Em nota recente, o Palácio do Planalto reforçou que o Brasil possui legislação rigorosa contra organizações criminosas e destacou a diferença entre facções voltadas ao lucro por meio de atividades ilícitas e grupos classificados internacionalmente como terroristas por motivações ideológicas, políticas ou religiosas.