O estado de Rondônia foi citado em uma análise nacional da BBC como um dos possíveis obstáculos comerciais para a exibição de Dark Horse, filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O motivo, porém, não está ligado à força política do ex-chefe do Executivo no estado, mas à limitada estrutura cinematográfica local.
De acordo com o levantamento, Rondônia possui apenas nove complexos de cinema em funcionamento, entre salas de rua e unidades instaladas em shoppings. O número reduzido limita a quantidade de sessões simultâneas e diminui o potencial de arrecadação da produção no estado.
A análise destaca que o problema também atinge outros estados da Região Norte, com exceção do Amazonas, onde Manaus concentra uma rede mais ampla de cinemas.
Apesar disso, Rondônia foi proporcionalmente um dos estados em que Bolsonaro obteve maior votação nas eleições de 2022, o que cria um cenário considerado contraditório pelo mercado: existe público potencial interessado no filme, mas a estrutura de exibição é pequena.
Com investimento estimado em até R$ 134 milhões, Dark Horse precisaria alcançar uma bilheteria nacional elevada para atingir viabilidade financeira. Segundo projeções do setor, seriam necessários cerca de 15 milhões de espectadores pagantes em todo o país para que a arrecadação fosse considerada satisfatória.
Nesse contexto, Rondônia aparece como um caso simbólico dentro da análise nacional: forte presença do eleitorado bolsonarista, mas baixa capacidade operacional para transformar esse interesse político em desempenho comercial nas bilheterias.