Uma descoberta arqueológica nas encostas áridas do Peru está ajudando a ampliar o entendimento sobre as primeiras civilizações do continente americano. Pesquisadores identificaram vestígios de uma cidade com cerca de 3,8 mil anos, ligada à antiga Civilização Caral–Supe, considerada uma das sociedades urbanas mais antigas das Américas.
Os vestígios foram encontrados na região do vale de Supe, onde está o complexo arqueológico de Caral. O local reúne pirâmides, praças cerimoniais e estruturas urbanas que indicam uma organização social avançada já por volta de 2600 a.C.
Segundo arqueólogos, a descoberta reforça a ideia de que sociedades complexas se desenvolveram na América muito antes do que se imaginava. Além do valor histórico, os pesquisadores apontam que essas civilizações também podem oferecer pistas sobre adaptação a mudanças climáticas e gestão de recursos em ambientes extremos, como o deserto costeiro peruano.
O avanço das pesquisas também reacendeu debates sobre a antiguidade da ocupação humana na região andina. Embora existam evidências de presença humana muito antiga nas Américas, especialistas destacam que algumas culturas conhecidas, como os Chachapoyas, surgiram apenas muitos séculos depois, entre aproximadamente 800 e 1500 d.C., antes da expansão do Império Inca.
Para os cientistas, novas escavações e tecnologias de datação devem continuar revelando capítulos ainda pouco conhecidos da história das primeiras sociedades do continente.