O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico rondoniense José Hiran da Silva Gallo, tornou-se alvo de investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) após a abertura de uma sindicância para apurar denúncias sobre o atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde novembro de 2025 na Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília.
Gallo foi intimado pelo ministro Alexandre de Moraes a prestar depoimento depois que o STF declarou a nulidade da sindicância instaurada pelo CFM. Para Moraes, não houve negligência ou falha no atendimento médico prestado a Bolsonaro, que recebeu assistência integral após sofrer uma queda dentro da cela da Polícia Federal, no dia 6 de janeiro deste ano.
Segundo o ministro, o ex-presidente conta com acompanhamento médico 24 horas por dia e foi prontamente socorrido após o incidente, que resultou apenas em ferimentos leves, conforme informou a própria corporação. Moraes destacou ainda que exames realizados no Hospital DF Star não apontaram qualquer sequela ou agravamento do estado de saúde de Bolsonaro.
“O que pode ser corroborado pelos exames médicos realizados pelo ex-presidente, que não apontaram nenhum problema ou sequela em relação à queda”, afirmou o ministro. Para ele, a equipe médica da Polícia Federal “atuou correta e competentemente”, não havendo qualquer omissão ou inércia.
Na decisão, Alexandre de Moraes foi além e acusou o Conselho Federal de Medicina de agir com desvio de finalidade. “A ilegalidade e a ausência de competência correicional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos fatos”, escreveu.
Quem é o presidente do CFM
O UOL, portal de notícias do grupo Folha de São Paulo, fez uma grande reportagem resgatando o histórico bolsonarista do médico. De acordo com o conteúdo, médico obstetra, Hiran Gallo esteve à frente do Conselho Federal de Medicina durante parte da pandemia de covid-19 e ficou conhecido por posições contrárias ao uso de máscaras. Em 2023, mesmo diante de evidências científicas, ele enviou um ofício à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificando a proteção facial como “sinalização de virtude” e “ideologia”.
Na área dos direitos reprodutivos, Gallo também acumulou controvérsias. Em 2024, sob sua gestão, o CFM editou uma diretriz que proibiu um procedimento utilizado em casos de aborto legal decorrente de estupro após 22 semanas de gestação. A norma acabou sendo suspensa pelo próprio Alexandre de Moraes.
Em audiência no STF, Gallo declarou que há limites para a “autonomia da mulher” sobre o próprio corpo e classificou o método de assistolia fetal como uma “crueldade”. Na ocasião, afirmou que mulheres que engravidarem em decorrência de estupro poderiam induzir o parto e entregar o bebê para adoção.
Histórico de apoio a Bolsonaro
O presidente do CFM tem histórico público de apoio a Jair Bolsonaro. Em 2018, publicou um artigo celebrando a vitória do então candidato à Presidência, intitulado “A esperança venceu o medo”, divulgado no site do Conselho Regional de Medicina de Rondônia, onde ocupava o cargo de diretor-tesoureiro.
Durante a pandemia, Gallo também saiu em defesa do ex-presidente. “Pessoalmente, entendo ser um equívoco atribuir ao presidente Jair Bolsonaro a culpa absoluta por essa catástrofe”, afirmou, ao minimizar críticas à condução do governo federal na crise sanitária.
Agora, o médico rondoniense se vê no centro de um novo embate institucional, desta vez com o Supremo Tribunal Federal, após questionar a atuação médica da Polícia Federal no episódio envolvendo a queda do ex-presidente.