Oito suspeitos de provocar incêndios florestais foram identificados no Amazonas, onde a Polícia Civil investiga a autoria das queimadas que atingem o estado. Em setembro, foram registrados 69 boletins de ocorrência por crimes ambientais. Enquanto as investigações avançam, a fumaça atravessou a divisa estadual e deixou o céu de Porto Velho, em Rondônia.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos transportaram partículas das queimadas do Amazonas para a capital rondoniense. Em Rondônia, também há focos de incêndio nas regiões de Nova Mamoré e Machadinho d’Oeste.
A identificação dos oito suspeitos representa uma frente importante das investigações, mas não significa, por si só, que eles tenham sido responsabilizados criminalmente. A apuração busca esclarecer a autoria dos incêndios e reunir elementos para responsabilizar os envolvidos.
69 boletins de ocorrência em setembro
O volume de registros policiais reforça a dimensão do trabalho de investigação. A Polícia Civil apura os crimes ambientais, enquanto as autoridades estaduais adotam medidas emergenciais para conter o avanço do fogo.
A fumaça também provoca impactos na saúde e nos serviços públicos. Em Manaus, a rede municipal suspendeu as aulas pela segunda vez em cinco dias, e a rede estadual interrompeu as atividades escolares na capital.
Na segunda-feira (12), a concentração média de partículas finas chegou a 135 microgramas por metro cúbico, segundo informação divulgada pela prefeitura. O índice de qualidade do ar da plataforma suíça IQAir atingiu 120, faixa considerada insalubre para grupos sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Força Aérea atua no combate ao fogo
A Força Aérea Brasileira iniciou na manhã de segunda-feira (12) operações com a aeronave cargueira KC-390, capaz de lançar até 12 mil litros de água por passagem. A previsão informada era realizar três lançamentos diários.
O Amazonas decretou situação de emergência no sábado (10), abrangendo 36 dos 62 municípios. Com validade de 180 dias, a medida permite compras e contratações sem licitação para ações de combate aos incêndios.
Além dos danos ambientais, a propagação da fumaça evidencia que os efeitos das queimadas ultrapassam as áreas diretamente atingidas pelo fogo. Em Rondônia, a recomendação é evitar atividades físicas intensas ao ar livre durante períodos de poluição elevada e procurar atendimento médico em caso de dificuldade respiratória.