A fumaça das queimadas voltou a encobrir Manaus (AM), com a qualidade do ar em níveis preocupantes pelo quinto dia consecutivo. Após sobrevoar áreas atingidas no domingo (11), o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que a situação é mais grave do que imaginava e que há indícios de incêndios criminosos em áreas de floresta preservada.
Segundo o ministro, o fogo não está restrito a pastagens. A suspeita é de que incêndios sejam provocados para degradar a mata e facilitar o desmatamento. Ele defendeu a participação da Polícia Militar no combate aos crimes ambientais.
Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) apontam 1.600 eventos de fogo ativo entre 1º e 12 de outubro, contra 444 no mesmo período de 2025, um aumento de aproximadamente 260%.
Em Manaus, um ponto de monitoramento registrou 219 microgramas de material particulado por metro cúbico, muito acima da referência de 25 µg/m³ para a classificação de boa qualidade do ar.
No interior, Itacoatiara mobilizou mais de 150 pessoas para combater incêndios que atingiram mais de 2 mil hectares. Em Careiro da Várzea, famílias precisaram deixar suas casas, enquanto mais de 200 voluntários atuam em Boa Vista do Ramos.
Na capital, um incêndio no Distrito Industrial II, na Zona Leste, durava mais de 48 horas. O Corpo de Bombeiros utilizou uma aeronave com capacidade para lançar até 1.930 litros de água por operação.
Governo amplia combate ao fogo
O governo federal mobilizou 290 brigadistas especializados, quatro aviões Air Tractor, dois helicópteros e duas aeronaves KC-390 da Força Aérea Brasileira. Segundo o Ibama, 229 incêndios haviam sido extintos desde o início do período crítico, enquanto outros 20 focos permaneciam em atendimento.
A situação de emergência foi reconhecida em 36 municípios do Amazonas, medida que permite solicitar recursos federais para enfrentar a crise.
O governo estadual informou que mantém a proibição do uso do fogo por 120 dias e conta com 153 brigadistas contratados. Também está em andamento o ProAmazon, projeto financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões para fortalecer a prevenção e o combate aos incêndios.
A estiagem e as condições climáticas associadas ao El Niño favorecem a propagação das chamas. A suspeita de ação criminosa, porém, depende de investigação para identificar as causas dos incêndios e eventuais responsáveis.