Ausente na sessão ordinária da Câmara Municipal de Porto Velho na terça-feira (23), o vereador Fernando Silva marcou presença na Assembleia Legislativa (ALE-RO) para participar ativamente da tensa reunião da Comissão de Segurança Pública (CSP). Assumindo a voz de defesa dos praças da Polícia Militar, o parlamentar usou o microfone para cobrar a equipe econômica do Governo e questionar duramente a falta de orçamento para as promoções militares.
Durante sua intervenção, o vereador expressou a frustração da base da PM com o projeto que antecipa o Curso de Formação de Sargentos (CFS) sem garantir a ascensão imediata. "De nada adianta o policial militar se habilitar. A lei é bem clara [...] se não tiver orçamento, o policial militar não vai ser promovido", alertou Fernando Silva. Ele frisou o receio da categoria: "A única dúvida e a incerteza que paira na cabeça de todos eles é: ao final do curso, o policial militar vai ser promovido ou não?".
Pressionando por uma solução, o vereador chegou a propor a inclusão de um dispositivo na lei garantindo que os policiais recebam os valores atrasados no futuro. "Quando esse policial militar for promovido no dia 1º de julho, há a possibilidade de ele receber todo o retroativo pelo tempo que ele ficou parado, como também o tempo de polícia na determinada graduação?".
A desconfiança demonstrada pelo parlamentar foi justificada por episódios anteriores envolvendo o Governo do Estado. "A gente já foi enganado no serviço voluntário, a gente já foi enganado aqui quando foi pra gente fazer os TCO [Termo Circunstanciado de Ocorrência] que prometeram que a gente ia ganhar não sei quantos mil. A gente já foi ludibriado na 'manga', disseram que iriam voltar com o nosso adicional de formação e até hoje esse adicional não voltou", disparou.
Ele também rebateu o Comando-Geral sobre a alegação de que as associações estariam separando a corporação. "Estão pregando aqui que a tropa está dividida. Só que vocês estão esquecendo que quem dividiu a tropa foram os próprios oficiais na época da manga. Não foi o praça que quis dividir a tropa".
Antes de ter sua fala encerrada, o vereador subiu o tom para denunciar a disparidade salarial e de tratamento entre as patentes. "Esse aumento não chegou na classe da Polícia Militar, senhores. O aumento só chegou para oficiais, os praças estão à míngua tendo que fazer DSO [Diária de Serviço Operacional] e atividade delegada para poder complementar sua renda", concluiu Fernando Silva.