A Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) aprovou o Projeto de Lei nº 1450/2026, de autoria do deputado Pedro Fernandes, que institui em âmbito estadual o programa "Face a Face - Orientação, Diálogo e Mudança". A iniciativa transforma em lei uma política pública permanente voltada à prevenção e redução da violência doméstica, com foco estratégico na reeducação de homens que estão submetidos a medidas protetivas de urgência.
O projeto nasceu como uma iniciativa da Patrulha Maria da Penha do 7º Batalhão da Polícia Militar (BPM) em Ariquemes, atuando de forma integrada com o Poder Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e a rede de apoio social, como a Casa Noeli.
Com a aprovação unânime em plenário, o modelo local ganha chancela para ser "estadualizado" e expandido para todos os municípios rondonienses.
Como funciona
Os homens intimados pela Justiça participam de palestras educacionais, reflexivas e multidisciplinares.
Nesses encontros, recebem orientação jurídica sobre as graves implicações penais do descumprimento das medidas protetivas, além de conscientização severa sobre os impactos da violência na família e na sociedade.
Para aqueles que demonstram interesse genuíno em mudar de postura, o programa oferece acompanhamento individualizado com apoio psicológico, social e até espiritual. Segundo relatos das edições já realizadas, a abordagem humanizada tem sido um ponto de virada para ajudar na transformação de mentalidade e na reconstrução de relações saudáveis.
Números que impressionam
Na tribuna da Alero, o deputado Pedro Fernandes defendeu a eficácia do projeto destacando que ele já é uma realidade de sucesso no interior. Os dados oficiais anexados à justificativa do PL comprovam o impacto real da medida: entre março de 2025 e maio de 2026, foram realizadas 13 edições do programa em Ariquemes.
Dos 915 homens intimados pela Justiça a comparecerem às atividades, 383 participaram efetivamente.O índice de descumprimento de medidas protetivas entre os agressores que passaram pela reeducação despencou para apenas 1,5%.
Em contraste, entre aqueles que não compareceram às atividades do "Face a Face", a taxa de descumprimento da lei e reincidência da violência chegou a quase 20%.
O projeto de lei, que recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelas mãos do deputado Delegado Camargo, que elogiou a boa redação e os benefícios diretos à proteção das vítimas, agora segue para sanção do governador Marcos Rocha.