O ex-deputado federal Cabo Daciolo voltou a movimentar o cenário político ao publicar, em suas redes sociais, um conteúdo com forte tom eleitoral. Na postagem ele aparece numa locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto velho (RO), um dos principais símbolos históricos da região Norte.
No texto, Daciolo critica a atual estrutura logística do país e faz um ataque direto aos dois principais polos políticos nacionais. “Chega de polarização!!! A malha ferroviária brasileira é de apenas 30.500 km de extensão. O fato de não termos uma malha ferroviária que venha conectar todos os Estados da Federação em pleno século XXI demonstra e confirma a incompetência de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro”, escreveu. Ao final, assina: “Cabo Daciolo 2026”, indicando possível intenção de disputar novamente a Presidência da República.
A publicação reforça a estratégia já conhecida do ex-parlamentar, que ganhou projeção nacional nas eleições de 2018 com discursos de forte apelo religioso e frases marcantes como “Glória a Deus!”. Agora, ele volta a adotar um discurso que combina críticas estruturais ao país com ataques à polarização política.
Paralelamente, Daciolo também tem sido citado em articulações regionais. Segundo apurou o portal Rondoniaaovivo, o ex-deputado transferiu recentemente seu título eleitoral para Ariquemes - Rondônia, o que alimenta especulações de que ele poderia disputar uma vaga no Senado Federal em 2026.
O movimento abre duas frentes possíveis: uma candidatura nacional, como sugere a postagem, ou uma estratégia mais pragmática, com foco no cenário estadual. Caso confirme presença na disputa por Rondônia, Daciolo pode alterar o equilíbrio político local, especialmente em um estado onde o eleitorado tende a reagir a candidaturas de perfil mais ideológico e outsider.
A indefinição sobre qual cargo disputará, no entanto, levanta dúvidas sobre a consistência de sua estratégia eleitoral. Tentar simultaneamente capitalizar visibilidade nacional e construir base regional pode diluir forças um risco relevante para um candidato que, historicamente, depende de forte identificação direta com o eleitor.