A gestão da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Novo de Rondônia, município localizado a 307 quilômetros de Porto Velho, foi alvo de cobranças durante a 53ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, que ocorreu na última quarta-feira (17).
O vereador Patrick Hellmann (PP) subiu à tribuna para denunciar falta de medicamentos básicos no hospital, falhas graves de comunicação da gestão e o abandono de um veículo novo que deveria estar atendendo a população - estimada em pouco mais de 8 mil habitantes, segundo o último Censo do IBGE.
Hellman apontou uma contradição no município: o Legislativo tem aprovado repasses milionários, mas o cidadão não vê o dinheiro. "Nós votamos 2 milhões e pouco de crédito adicional para a saúde e você vai no hospital não tem medicamento", protestou o vereador, acusando a secretária da pasta de omissão e falta de compromisso com a população.
A falta de gestão, segundo o parlamentar, reflete-se na desinformação da própria chefia da secretaria. Ele relatou que precisou acionar a titular da pasta para saber sobre a disponibilidade de um remédio e ficou sem resposta imediata. "Mandei uma mensagem para ela, não soube nem me responder se tinha medicamento no hospital ou não. Foi me responder no outro dia, depois que o paciente foi lá e viu que não tinha", lamentou.
Três Coqueiros e uma caminhonete
Outro ponto crítico levantado na sessão envolve a frota oficial da saúde. O vereador revelou que uma caminhonete destinada à Unidade Básica de Saúde (UBS) do distrito de Três Coqueiros, viabilizada por meio de emendas de deputados, demorou cerca de dois anos para ser comprada e, mesmo após a aquisição, continua sem uso.
Segundo a denúncia dele, o veículo está "escondido" no pátio da saúde há aproximadamente 60 dias. "Se vocês não forem entregar agora, vão dar pelo menos partida naquela caminhonete, senão daqui a um dia arria a bateria. E quem tem que pagar uma bateria nova é a população", ironizou.
Ele ressaltou que a comunidade de Três Coqueiros precisa do carro para o socorro e transporte de pacientes nas estradas de terra.
"O postinho fechou?"
Além das questões logísticas e de insumos, a Secretaria de Saúde também foi criticada pela ausência de comunicação institucional básica. Recentemente, a prefeitura transferiu o posto de saúde para o prédio do antigo hotel JN (em frente à associação dos professores), porém não instalou placas indicativas nem promoveu divulgação do novo local.
A falha tem gerado problemas, especialmente para os moradores da zona rural. "A nossa população tá perdida. Perguntaram para mim se tinha até fechado o postinho de saúde", relatou o vereador.
Ele exigiu que a secretaria instale uma placa e informe adequadamente a população, evitando que pessoas doentes fiquem vagando desorientadas pela cidade em busca de atendimento.
Procurada via telefone e e-mail pela reportagem do Rondoniaovivo, a secretaria de saúde do município não respondeu até a publicação deste material.