A decisão de não ter filhos ganhou espaço em diferentes sociedades e pode estar relacionada a fatores econômicos, culturais, pessoais e filosóficos.
Entre as correntes que questionam a própria ideia de procriação está o antinatalismo, visão segundo a qual gerar uma nova vida pode ser considerado moralmente problemático diante da possibilidade inevitável de sofrimento.
Durante grande parte da história, ter filhos foi associado à continuidade da família, à sobrevivência e à organização social.
Hoje, porém, parte das pessoas questiona essa expectativa e considera a maternidade ou a paternidade uma escolha, e não uma obrigação.
Os argumentos antinatalistas vão além das dificuldades práticas de criar uma criança.
Seus defensores sustentam que ninguém pode consentir antes de nascer e que toda existência envolve exposição a dor, doenças, perdas e frustrações.
Por essa perspectiva, evitar o nascimento seria uma forma de impedir que uma pessoa fosse submetida a esses riscos.
A discussão, no entanto, não se resume à filosofia.
Custos elevados, insegurança financeira, mudanças nas relações familiares, maior participação das mulheres no mercado de trabalho e a busca por autonomia também influenciam a queda da fecundidade em vários países.
O debate coloca uma questão central: ter filhos deve ser entendido como um dever social ou como uma decisão individual?
A resposta varia conforme valores culturais, experiências pessoais e concepções filosóficas sobre o significado da existência.