A rodovia BR-364 registrou 895 acidentes, mais de mil pessoas feridas e 53 mortes nos primeiros sete meses de 2026 no trecho que corta o estado de Rondônia. O volume de ocorrências representa uma média de um óbito a cada quatro dias na pista. No mês de agosto, dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) contabilizaram mais 19 mortes registradas entre os dias 1º e 27.
Diante da recusa de informações detalhadas por parte dos órgãos oficiais, a equipe de reportagem do Rondoniaovivo percorreu o trecho da BR-364 entre Porto Velho e Ji-Paraná durante o período noturno, circulando até 1h da manhã. Na inspeção direta, constatou-se que o tráfego de carretas e veículos de grande porte na madrugada permanece intenso e em volume quase equivalente ao do dia, com caminhões circulando continuamente sem o cumprimento dos horários regulamentares de descanso.
A Lei 13.103/2015, conhecida como Lei do Caminhoneiro, regulamenta jornada, tempo de direção e descanso dos motoristas. Essenciais ao transporte de cargas, esses profissionais enfrentam riscos e dificuldades. A falta de fiscalização noturna favorece irregularidades, como a circulação de rodotrens, que, em regra, é proibida à noite em rodovias de pista simples.
NÚMEROS ELEVADOS
Em relatório técnico do Núcleo de Segurança Viária da PRF, cobrindo o período de 12 de janeiro a 16 de julho de 2026, a BR-364 somou 784 acidentes, dos quais 202 foram classificados como graves, resultando em 47 mortes, 198 feridos graves e 694 feridos leves. A colisão frontal destacou-se como a principal causa de fatalidades no trecho, sendo responsável por 20 mortes e 34 feridos graves em 42 ocorrências.
A malha administrada pela Concessionária Nova 364 abrange 686,7 quilômetros entre Porto Velho e Vilhena, operando com sete praças de cobrança de pedágio em funcionamento desde janeiro de 2026.
A tarifa cobrada na praça de Cujubim, no valor de R$ 37,00, figura entre as mais altas do país, enquanto a praça de Pimenta Bueno registra cobrança de R$ 35,40 para veículos de passeio.
O contrato de concessão possui duração de 30 anos e prevê a execução de 107,5 quilômetros de duplicação e 190,5 quilômetros de faixas adicionais ao longo da via.