Todos possuem semaglutida obtida por via sintética como princípio ativo e foram registrados por comparação com o Ozempic, medicamento de referência dessa classe.
Segundo a Anvisa, os produtos são indicados para pacientes adultos com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a doença apenas com dieta e atividade física.
Eles também poderão ser utilizados quando a metformina, medicamento mais utilizado como primeiro tratamento para o diabetes tipo 2, não for indicada devido à intolerância ou contraindicação.
Entre os novos registros, Zempneo e Semavy têm previsão de fabricação no Brasil após a conclusão do processo de transferência de tecnologia para empresas nacionais.
Embora os novos medicamentos tenham sido registrados para tratar o diabetes tipo 2, a semaglutida ganhou popularidade por seus efeitos sobre o controle do apetite.
O princípio ativo pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, que imitam a ação de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo.
Além de estimular a produção de insulina quando a glicemia está elevada, esses medicamentos retardam o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade, o que pode favorecer a perda de peso.
Por esse motivo, medicamentos dessa classe passaram a ser conhecidos pelo público como "canetas emagrecedoras".
No entanto, a indicação aprovada pela Anvisa depende do registro específico de cada produto, e o uso deve ocorrer somente com prescrição e acompanhamento médico.
O que muda com a aprovação
A chegada de novos fabricantes ao mercado pode ampliar a oferta de medicamentos à base de semaglutida no Brasil, reduzindo problemas de desabastecimento registrados nos últimos anos.
Na avaliação do Ministério da Saúde, o aumento da concorrência também tende a favorecer a redução dos preços desses medicamentos, que ganharam grande procura tanto para o tratamento do diabetes quanto da obesidade.
O governo também afirma que a iniciativa faz parte da estratégia para fortalecer a produção nacional.
Dos cinco medicamentos aprovados, dois têm expectativa de serem fabricados no país após a transferência de tecnologia.
Aprovações ao mesmo tempo
A priorização das análises começou em agosto de 2025, após um pedido do Ministério da Saúde para acelerar a avaliação de medicamentos com semaglutida e liraglutida.
Em paralelo, a Anvisa implementou um plano com 125 ações para reduzir a fila de pedidos de registro e diminuir o tempo de análise.
Segundo a agência, dos 24 medicamentos sintéticos e biológicos incluídos no edital de priorização, 11 já tiveram a avaliação concluída, resultando até o momento na aprovação de seis medicamentos, incluindo os cinco anunciados nesta quarta-feira.
A concessão do registro envolve análise de estudos clínicos, avaliação técnica da documentação apresentada pelas empresas e inspeções nas linhas de produção para garantir a qualidade, a segurança e a eficácia dos produtos.