De acordo com reportagem publicada no portal A Tribuna, decisão da Usina Hidrelétrica de Jirau de transferir os moradores da Vila Abunã para longe das margens do rio Madeira pode prejudicar o turismo e o comércio de Rondônia e do Acre. A medida afeta diretamente as obras de recuperação de duas rodovias federais no estado vizinho, pois interrompe o fornecimento de brita e pedra de calçamento das pedreiras da Ponta do Abunã.
Ouvido pelo A Tribuna, o empresário Jarbas Soster, dono da MSM Industrial, empresa que recupera a BR-364 e mantém frentes de serviço no Acre, alerta para os impactos econômicos provocados pela elevação do nível do rio.
“O aumento da lâmina d'água do lago da Usina de Jirau para geração de energia elétrica, conforme está previsto, alagará a pedreira que fica no Ramal do Moacir (Vila Extrema) e outra localizada no ramal próximo à foz do rio Abunã”, afirma o empresário.
Soster explica que as pedreiras fornecem a matéria-prima usada na tecnologia de macadame hidráulico das rodovias. Como o rio Madeira reduz seu nível a cada ano devido às mudanças climáticas, as turbinas de Jirau perdem eficiência. Isso leva a Energia Sustentável do Brasil (responsável pela usina) a planejar o aumento da cota do lago.
“Temos acompanhado o levantamento das pistas da BR-364 no trecho entre Jaci-Paraná, em Rondônia, o que sinaliza que a empresa Energia Sustentável do Brasil pretende elevar a cota do lago para ampliar a geração de energia elétrica”, revelou Soster.
Desapropriação e contaminação
Um relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) confirmou a contaminação do lençol freático que abastece a Vila Abunã.
Para preparar a retirada das famílias e calcular as indenizações, a Defesa Civil de Porto Velho contratou a empresa ConsultGEL para realizar o cadastro socioeconômico da área. Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) promoveram um fórum para ouvir as demandas dos moradores.
O secretário municipal de Projetos Especiais de Porto Velho, Vicente Bessa, afirma que a transferência exige planejamento e será demorada.
“Devemos fazer um levantamento dos bens e imóveis existentes no distrito para apresentação na próxima reunião do Conselho Administrativo da Jirau”, declarou o secretário.
Ampliação do lago
O acordo bilateral entre Brasil e Bolívia busca ampliar a geração de energia da Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, por meio da flexibilização de regras operacionais. Para garantir essa ampliação, será permitida a continuidade da operação na cota de 90 metros, inclusive durante o período de estiagem, proporcionando ganhos energéticos ao Sistema Interligado Nacional, segundo nota do Ministério de Minas e Energia (MME).
Atualmente, a Usina Hidrelétrica de Jirau opera entre a cota de 82,5 metros no verão e a de 90 metros no inverno. Com a instalação de mais 10 turbinas, serão adicionados 750 MW de potência, elevando a capacidade de geração para 4,5 mil MW, com um total de 60 turbinas. Além disso, o lago passará a manter permanentemente a cota de 90 metros durante todo o ano.
Os procuradores do MPF/RO passaram a exigir o licenciamento ambiental para a efetivação dessa mudança, que prevê a instalação de mais 10 turbinas. A medida permitirá a retenção de um volume maior de água na barragem para gerar mais 750 MW de energia.
O órgão também defende que o reservatório opere permanentemente em seu nível máximo, de 90 metros, deixando de reduzir para a cota de 82,5 metros, o que representará um aumento de aproximadamente 7,5 km² na área do lago existente.