PATRIMÔNIO: Descoberta na TI Tanaru revela complexo arqueológico milenar em Rondônia

Estudo da Universidade de Brasília (UnB) aponta para infraestrutura indígena inédita na região do "Índio do Buraco" e arqueólogos cobram tombamento da área pelo Iphan

PATRIMÔNIO: Descoberta na TI Tanaru revela complexo arqueológico milenar em Rondônia

Foto: Foto: Reprodução via O Globo / Funai / Montagem

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A morte do "Índio do Buraco" em 2022, na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia, parecia o fim da história do último sobrevivente de sua etnia. No entanto, o solo dos 8.070 hectares do território guardava um segredo que agora desafia as teorias vigentes sobre a cronologia e a escala da ocupação humana na Floresta Amazônica.
 
Um mapeamento inédito revelou o "Complexo Arqueológico do Tanaru", uma ocupação indígena profunda e sofisticada que permaneceu invisível por séculos sob a copa das árvores. A descoberta foi originalmente divulgada pelo jornal O Globo e analisada em artigo da Agência Pública.
 
A revelação foi viabilizada pela tecnologia LiDAR, um sensoriamento a laser capaz de "remover" digitalmente a vegetação para expor o relevo do solo. Os dados obtidos pelo Projeto Médio Guaporé, do Departamento de Antropologia da UnB, detalham os seguintes achados impressionantes.
 
 
 
 
FOTO: Localização do levantamento por LiDAR apresentado no relatório da UnB — Projeto Médio Guaporé/Depto de Antropologia da UnB/Reprodução via O Globo
 
 
Foi identificada uma rede com mais de 110 km de trilhas ancestrais, que conectam diferentes assentamentos e recursos naturais. Os pesquisadores encontraram "aldeias circulares", estruturas com montículos dispostos ao redor de uma praça central, um padrão típico de grupos como os Bororo e Xavante, o que reforça a conexão cultural da Amazônia com o Brasil Central.
 
Foi descoberta também a primeira casa subterrânea arqueológica conhecida na Amazônia e a pesquisa identificou mais de 1.300 buracos no território, característica marcante que deu o apelido ao indígena isolado.
 
Para o arqueólogo Francisco Pugliese, que estuda o território há mais de 15 anos, a descoberta da casa subterrânea é sem precedentes. Tradicionalmente, essas estruturas escavadas no solo são associadas a climas frios do Sul do Brasil e aos povos Jê, como os Kaingang e Xokleng. 
 
A presença delas em um ambiente de floresta tropical densa sugere que os processos de migração e adaptação dos grupos Macro-Jê foram muito mais extensos do que a ciência acreditava. O estudo indica que a área foi ocupada de forma contínua por pelo menos mil anos.
 
 
 
Modelo Residual Morfológico da área da casa subterrânea: caminhos (cinza) e estruturas escavadas (vermelho). Os círculos concêntricos hachurados marcam áreas de perambulação ao redor da casa — Foto: Projeto Médio Guaporé/Depto de Antropologia da UnB/Reprodução via O Globo
 
 
Tombamento e parque nacional
 
Com base no relatório do Laboratório de Arqueologia Indígena da UnB, Pugliese solicitou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o tombamento federal imediato da área. O arqueólogo trata o complexo como um patrimônio de "valor incalculável" e afirma aguardar uma resposta do órgão há quase um ano.
 
O Iphan, no entanto, informou ao O Globo que iniciou um procedimento administrativo para apurar as informações, mas declarou não haver comprovação institucional sobre os "seis novos sítios" mencionados pelo pesquisador. O órgão também ressaltou que a presença de vestígios arqueológicos não altera a propriedade da área e que os bens encontrados são patrimônio da União.
 
Atualmente, a área possui restrição de uso para não indígenas, e o governo federal planeja anunciar a criação do Parque Nacional Tanaru. A criação do parque foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um instrumento de reparação histórica pela violência sofrida pelos povos originários.
 
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com recurso no Tribunal Regional Federal (TRF-1) contestando o pagamento de indenizações a fazendeiros pela criação do parque. O MPF argumenta que as terras pertencem à União por serem tradicionalmente ocupadas e alerta para um "vultoso dano aos cofres públicos" caso o governo pague por "terra nua" com base em títulos privados que deveriam ser considerados nulos.
 
A Agência Pública, ao repercutir a descoberta, destacou o precioso legado deixado pelo "Índio do Buraco": ao se defender do extermínio, o indígena preservou com a própria vida um território sagrado e uma floresta que agora revela culturas ancestrais que formaram o povo brasileiro.
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