O mercado de cassinos no Brasil em 2026: crescimento digital, regulação rígida e o impasse dos cassinos físicos
O mercado de jogos e apostas no Brasil vive, em 2026, um momento de profunda transformação. Enquanto os cassinos físicos seguem em compasso de espera por uma definição legislativa definitiva, o universo online já se consolidou como o verdadeiro motor econômico do setor, cenário que ajuda a explicar por que os melhores cassinos online do momento concentram hoje a maior parte da atividade. Plataformas digitais de cassino, apostas esportivas e iGaming dominam o mercado, impulsionadas pela ampla adoção de smartphones, meios de pagamento locais eficientes e um público cada vez mais habituado ao entretenimento digital.
Esse avanço acelerado ocorre, no entanto, em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso. O governo brasileiro passou a tratar o setor como uma atividade econômica relevante, mas também sensível, impondo regras duras de licenciamento, tributação, publicidade e proteção ao consumidor. O resultado é um mercado grande, dinâmico, mas altamente vigiado — um contraste evidente com a indefinição que ainda cerca os cassinos físicos.
Crescimento do iGaming e domínio do online
O segmento de cassinos online é hoje o coração da indústria de jogos no Brasil. Em 2025, esse mercado já projetava receitas da ordem de US$ 1,27 bilhão, com expectativa de crescimento contínuo ao longo de 2026. Quando se considera o iGaming como um todo — incluindo cassinos, apostas esportivas, esportes virtuais e eSports — as projeções apontam para US$ 5,4 bilhões até 2026.
O futebol continua sendo o grande catalisador desse crescimento, mas não está sozinho. A integração de apostas em eSports, jogos virtuais e formatos ao vivo ampliou o alcance do setor, especialmente entre públicos mais jovens e altamente conectados. Entre 2024 e 2026, as projeções acumuladas indicam que o mercado pode gerar mais de R$ 100 bilhões em receitas, com arrecadação fiscal estimada em R$ 12 bilhões no mesmo período.
Esse avanço não acontece por acaso. O Brasil reúne fatores estruturais raros: uma população superior a 215 milhões de pessoas, alto consumo de entretenimento digital, forte cultura esportiva e rápida adaptação a soluções tecnológicas — especialmente no campo financeiro.
Regulação: crescimento permitido, mas sob controle
A expansão do mercado online vem acompanhada de um arcabouço regulatório cada vez mais detalhado. Até janeiro de 2026, 66 licenças de apostas de quota fixa haviam sido concedidas: 14 definitivas e 52 provisórias. Essas licenças abrangem operações que frequentemente combinam apostas esportivas e produtos de cassino online.
Entre as exigências centrais estão a obrigatoriedade de 20% de participação societária local, o uso exclusivo do domínio .bet.br e restrições claras sobre meios de pagamento.
O uso de cartões de crédito foi proibido, consolidando o PIX e cartões de débito como as únicas opções permitidas. Essa decisão busca reduzir o risco de endividamento excessivo e aumentar a rastreabilidade das transações.
A carga tributária também aumentou. A partir de outubro de 2025, a alíquota sobre o GGR (Gross Gaming Revenue) subiu para 18%, reforçando o papel fiscal do setor. Paralelamente, tornaram-se obrigatórios mecanismos rigorosos de KYC, com validação via CPF, reconhecimento facial, monitoramento de lavagem de dinheiro e ferramentas de jogo responsável, incluindo bancos de dados nacionais de autoexclusão.
A publicidade sofreu forte restrição. Anúncios durante eventos esportivos ao vivo foram proibidos, o horário de veiculação passou a ser limitado entre 19h30 e meia-noite, e bônus promocionais ou uso de celebridades como influenciadores foram vetados. O objetivo é reduzir a exposição excessiva e proteger públicos vulneráveis.
Tendências emergentes no comportamento do jogador
Mesmo sob regras mais duras, o mercado segue inovando. Os jogos com dealers ao vivo tornaram-se um dos formatos mais populares, oferecendo uma experiência mais próxima do cassino físico, com interação em tempo real e maior sensação de imersão.
Os meios de pagamento também moldam o comportamento do usuário. O PIX já responde por cerca de 80% das transações, graças à instantaneidade, simplicidade e ampla aceitação. Além disso, cresce o interesse por pagamentos com criptomoedas, especialmente entre usuários que valorizam privacidade e autonomia financeira, ainda que esse segmento seja observado com cautela pelos reguladores.
Outro vetor relevante é o crescimento das apostas em eSports e esportes virtuais, que já movimentam mais de US$ 200 milhões. Esse nicho dialoga diretamente com uma geração mais jovem, acostumada a ambientes digitais, streaming e jogos competitivos.
Do ponto de vista das operadoras, a estratégia dominante é clara: plataformas mobile-first, transparência nas taxas de retorno ao jogador (RTP), uso de geolocalização para conformidade regulatória e foco em experiência do usuário.
Cassinos físicos: potencial elevado, decisão adiada
Enquanto o online avança, os cassinos físicos seguem no campo das expectativas. O projeto de lei que prevê a legalização de cassinos integrados a resorts, bingos e a regulamentação do jogo do bicho avançou em comissões do Senado ao longo de 2025, mas não obteve votação final até o início de 2026.
Os atrasos foram atribuídos a debates sobre impactos sociais, saúde pública e dificuldades de quórum. Ainda assim, uma votação segue sendo considerada possível, especialmente diante da pressão do setor de turismo. O Ministério do Turismo vê nos cassinos um instrumento estratégico para revitalizar o fluxo de visitantes internacionais, que permanece em torno de 6 milhões por ano, abaixo do potencial do país.
O modelo proposto prevê um cassino por estado, com exceções para estados mais populosos, como São Paulo, que poderiam ter até três. Esses empreendimentos seriam integrados a hotéis de luxo com mais de 100 quartos, centros de eventos, restaurantes e infraestrutura de entretenimento.
Impactos econômicos projetados
Os defensores da legalização dos cassinos físicos apontam ganhos expressivos. As projeções falam em R$ 20 a 22 bilhões por ano em arrecadação tributária, com base em uma alíquota de aproximadamente 17% sobre o GGR. Além disso, estima-se que os investimentos totais no setor possam alcançar R$ 100 bilhões ao longo do tempo.
No mercado de trabalho, os números também são ambiciosos: entre 1 e 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos, além de um aumento estimado de 1,2% na participação do turismo no PIB. Outro argumento recorrente é a retenção de capital: recursos hoje gastos por brasileiros em destinos como Las Vegas passariam a circular internamente.
A distribuição da arrecadação prevista também reforça o apelo político do projeto. Cerca de 35% ficariam com o governo federal, destinados a promoção turística e programas de prevenção à ludopatia; 45% iriam para os estados, com foco em infraestrutura e segurança; e 20% para os municípios-sede, apoiando desenvolvimento urbano e equipamentos públicos.
Críticas e preocupações sociais
Apesar do otimismo econômico, há resistências significativas. Críticos alertam para riscos de aumento da criminalidade, associação com atividades ilícitas e impactos sociais negativos, especialmente em regiões com desafios de segurança. Há também o receio de que o país reproduza modelos de dependência excessiva do jogo, como observado em outros polos internacionais.
Pesquisas indicam que cerca de 60% da população apoia a legalização, mas o tema segue sensível. O próprio presidente da República já sinalizou abertura para sancionar a lei, caso ela seja aprovada pelo Senado, reforçando que a decisão final é mais política do que técnica.
Um mercado em dois tempos
Em 2026, o cenário brasileiro de cassinos é marcado por essa dualidade. De um lado, um mercado online robusto, regulado, tecnologicamente avançado e já integrado à economia digital do país. Do outro, um enorme potencial físico ainda travado por debates legislativos e preocupações sociais.
Independentemente do desfecho dos cassinos físicos, uma coisa é clara: o Brasil já se consolidou como um dos mercados de iGaming mais relevantes do mundo. A questão agora não é mais se o setor vai crescer, mas como ele será moldado — e quem conseguirá equilibrar inovação, arrecadação e responsabilidade social nesse processo.