Wenderson Francisco dos Santos, o popular "Ruço" e Joel Gomes da Silva, o "Joel Garimpeiro". O julgamento que teve início as 10:00 do último dia 03 de março encerrou-se as 04:44 da madrugada de hoje. Os réus foram absolvidos, por 04 votos a 03, no caso de Ruço e por 6 votos a 1 no caso de Joel. Os jurados entenderam que a acusação do Ministério Público contra ambos, não apresentou provas documentais e testemunhais para condená-los pela morte de Divino Urias Borges. A vítima, segundo a defesa de Ruço e Joel, era um pistoleiro contratado pela fazenda Galo Velho, já que a própria polícia encontrou à época, junto ao corpo, R$4 mil reais em espécie.
O promotor Ademir José de Sá, representante do Ministério Público, argumentou que Ruço e Joel eram líderes dos camponeses organizados pela LCP e por conseguinte isso os incriminaria. O Juiz Leonardo Leite Matos indeferiu as perguntas pautadas nessa direção, por entender que Ruço e Joel é que estavam sendo julgados, e não a Liga dos Camponeses Pobres. Mesmo com a negativa do Juiz, a acusação do promotor Ademir José se pautou nas argumentações finais nesta mesma direção.
A defesa de Ruço e Joel se pautaram nos autos do processo, apresentando aos jurados a ausência de provas documentais, além de que as testemunhas de acusação que compareceram apresentaram contradições em seus depoimentos. Durante todo o Júri, momentos de euforia dos que assistiam era notada pelos organismos de imprensa que realizam a cobertura. Uma das testemunhas de acusação, disse que seu depoimento anterior foi feito sob tortura da PM. Já o Major Ênedy Dias de Araújo, apresentou contradições em seu depoimento de acusação ao afirma que havia um certo policial por nome Calixto que trabalhava como "segurança" da fazenda Galo Velho. Mesmo sabendo que certos trabalhos são ilegais, Major Enedy confirmou que conhecia o "bico" feito por seus subordinados.
Ao sair o resultado da votação do Júri, os advogados de defesa, vinculados ao Núcleo de Advogados do Povo, uma organização de advogados reunidos nacionalmente e internacionamente, participaram de uma passeata organizada pelas entidades de apoio a Ruço e Joel que estavam presentes ao julgamento. O julgamento, monitorado por entidades de todo o Brasil, teve seu desfecho favorável aos réus, e com palavras de ordem, música e fogos, os camponeses e entidades comemoraram o resultado.
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