A experiência da TecnoGame Brasil realizada em Porto Velho pode ganhar novos capítulos em Rondônia.
Depois da edição que movimentou a capital em março deste ano, Paulo Moraes, que comandava a Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel) no período de realização do evento, defende a criação de um Circuito Rondoniense da TecnoGame, levando parte da estrutura e das atrações para municípios do interior do estado.
Realizada nos dias 21 e 22 de março, na Villa Privilege, antiga Talismã 21, a primeira edição da TecnoGame Brasil em Porto Velho colocou em um mesmo espaço tecnologia, games, cultura geek, música, inovação, empreendedorismo e qualificação profissional.
A programação foi dividida em diferentes ambientes, entre eles Arena Gamer, Arena Geek, Arena Music e Arena Inovação.
Competições de jogos eletrônicos, cosplay, K-pop, realidade virtual, simuladores, desenvolvimento de games, startups, oficinas, painéis e atividades ligadas à economia criativa fizeram parte da experiência oferecida ao público.
O evento também trouxe nomes conhecidos nacionalmente do entretenimento e da internet.
Entre as atrações divulgadas estiveram Guilherme Briggs, Júlio Cocielo, Bruno PlayHard, Muca Muriçoca, Danilo Gentili, Diogo Defante, Toguro e Jotapê, além da participação de integrantes da Batalha da Aldeia, uma das principais referências nacionais das batalhas de rima.
Na avaliação de Paulo Moraes, entretanto, o principal legado da experiência realizada na capital é mostrar que eventos ligados à tecnologia e à cultura jovem podem ir além do entretenimento.
“A TecnoGame mostrou em Porto Velho que tecnologia, games, cultura urbana e inovação conseguem ocupar o mesmo espaço e aproximar principalmente os jovens de novas experiências e oportunidades. Agora, acredito que chegou o momento de pensar maior: queremos trabalhar para que essa experiência também possa chegar ao interior e construir um verdadeiro circuito rondoniense da TecnoGame.”
À frente da Semtel durante a realização da edição de Porto Velho, Paulo participou da gestão responsável pela implantação do evento na capital.
Para ele, um circuito estadual permitiria adaptar a programação às características de cada região, abrindo espaço também para talentos, empreendedores, artistas, gamers e desenvolvedores dos próprios municípios.
A ideia defendida por Paulo é que as futuras edições possam combinar atrações nacionais com participação regional, mantendo experiências que chamaram a atenção na capital e criando oportunidades para que talentos rondonienses integrem a programação.
Entre as atrações que Paulo considera possíveis de integrar esse modelo está a Batalha da Aldeia, além de competições de e-sports, experiências tecnológicas, cosplay, cultura geek, oficinas, palestras, atividades de inovação e espaços para empreendedores e desenvolvedores.
“Quando trazemos uma atração nacional, ela chama atenção e aproxima o público. Mas o mais importante é usar essa estrutura para abrir espaço para quem é daqui. Rondônia tem jovens produzindo conteúdo, fazendo música, desenvolvendo projetos, empreendendo e entrando no mercado de tecnologia. Um circuito estadual pode ser uma vitrine para essa geração.”
A proposta dialoga ainda com uma discussão mais ampla sobre a descentralização de grandes eventos.
Historicamente, Porto Velho concentra boa parte das programações de maior porte realizadas no estado, enquanto moradores de municípios mais distantes precisam percorrer centenas de quilômetros para ter acesso às mesmas experiências.
Para Paulo Moraes, levar a TecnoGame ao interior significaria também estimular circulação econômica nas cidades que recebessem as etapas.
“Não queremos que as grandes experiências fiquem concentradas somente em Porto Velho. O jovem de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Vilhena e de outras regiões de Rondônia também precisa ter acesso a tecnologia, inovação, cultura e entretenimento de qualidade. A ideia do circuito é justamente fazer essa ponte e, ao mesmo tempo, movimentar os municípios que receberem cada etapa.”
Além da programação de entretenimento, a edição realizada em Porto Velho apresentou atividades relacionadas a formação, inovação e empreendedorismo, incluindo iniciativas direcionadas ao desenvolvimento de jogos, exposição de startups, economia criativa e aproximação entre profissionais e empresas.
É justamente essa combinação que Paulo pretende preservar na proposta de interiorização.
“Game é entretenimento, mas a economia dos games e da tecnologia também significa profissão, empresa, emprego e oportunidade. Quando o poder público consegue aproximar entretenimento, qualificação e empreendedorismo, o evento deixa um legado muito maior do que os dois dias de programação”, afirma.
O formato e os municípios de uma eventual expansão ainda dependeriam de planejamento, parcerias, viabilidade técnica e disponibilidade de recursos.
A proposta defendida por Paulo é construir um calendário capaz de percorrer diferentes regiões de Rondônia, respeitando a capacidade e as características de cada cidade.
Para ele, a experiência da capital serviu como ponto de partida.
“Porto Velho mostrou que existe público. O próximo desafio é transformar uma experiência que aconteceu na capital em algo que possa alcançar Rondônia. Eu quero continuar defendendo projetos que coloquem nossa juventude em contato com aquilo que está acontecendo de mais atual no Brasil, sem esquecer que os nossos talentos também precisam estar no palco.”