Saíram do país como enfermeiras de 3ª classe e viraram oficiais no meio da guerra
Foto: Reprodução Instagram
Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.
Em julho de 1944, 73 mulheres brasileiras embarcaram do Rio de Janeiro para a Itália. Eram 67 do Exército e 6 da Aeronáutica. Todas voluntárias. As primeiras profissionais de saúde incorporadas ao serviço militar no Brasil.
Foram nomeadas enfermeiras de 3ª classe, com soldo equivalente ao de sargento, e serviram em 4 hospitais do exército americano montados em Nápoles, Valdibura, Pisa, Pistoia e Livorno. Uma delas foi ferida quando a área onde estava foi bombardeada.
Já na Itália, por decisão do general Mascarenhas de Moraes, comandante da Força Expedicionária Brasileira, elas foram promovidas a 2º tenente. Saíram do país como enfermeiras de 3ª classe e viraram oficiais no meio da guerra.
Uma delas se chamava Virgínia Portocarrero. Tinha 27 anos, era filha e sobrinha de generais. Ela contou que se despediu da família duas vezes.
Na primeira, esperou o jipe na porta de casa às 4 da manhã, com o pai apreensivo e a mãe chorando. Ficou o dia inteiro no quartel-general e voltou às 3 da tarde. A mãe comemorou dizendo que ela não ia mais.
Dois dias depois, a mesma cena. Beijinho, beijinho, até mais tarde. Dessa vez ela não voltou. Virgínia voltou ao Brasil em julho de 1945, condecorada e elogiada pelas Forças Armadas brasileiras e americanas. E foi reformada assim que chegou. Como todas as enfermeiras da FEB.
Depois disso, elas tiveram que lutar para ter o valor reconhecido como militares e para receber aposentadoria digna. E ficaram praticamente esquecidas, com pouquíssimo registro escrito sobre elas.
Em 2026, uma reportagem em 5 episódios da Rádio Senado finalmente reuniu os áudios históricos dessas veteranas, contando o frio extremo, o racismo e o peso de cuidar de gente ferida em combate. Levou 81 anos.
Acesse sua conta do Rondoniaovivo.com e faça seu comentário