O Brasil possui cerca de 232,8 mil toneladas de recursos de urânio contido, segundo a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), e está entre os países com maior potencial mineral do mundo. Apesar disso, a produção nacional ainda é limitada e a única mina atualmente em operação está localizada em Caetité, na Bahia.
O cenário ganha importância diante do avanço da energia nuclear e do crescimento do consumo de eletricidade por data centers, impulsionado principalmente pela inteligência artificial. A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que o consumo mundial de eletricidade dos data centers mais que dobre até 2030, chegando a aproximadamente 945 TWh por ano.
A demanda crescente aumenta o interesse por fontes capazes de fornecer eletricidade de forma contínua. Diferentemente da geração solar e eólica, que dependem das condições climáticas, as usinas nucleares podem operar continuamente e com baixa emissão de carbono durante a geração de eletricidade.
Onde o Brasil pode usar o urânio
O principal uso é como combustível para usinas nucleares, como Angra 1 e Angra 2. O urânio também pode ser empregado na produção de radiofármacos e aplicações médicas, além de pesquisas, agricultura, indústria, esterilização de materiais e conservação de alimentos.
O aproveitamento do mineral, portanto, não se limita à geração de energia. O domínio do ciclo nuclear também pode reduzir a dependência externa e ampliar a capacidade tecnológica brasileira.
Potencial para aumentar a produção
A INB informa que a unidade de Caetité possui capacidade instalada de aproximadamente 400 toneladas por ano e trabalha em projetos que podem elevar a produção para até 800 toneladas anuais.
Outro projeto estratégico está em Santa Quitéria, no Ceará, onde o urânio ocorre associado ao fosfato. A jazida possui reservas estimadas em 80 mil toneladas de urânio e o projeto prevê produção anual de cerca de 2.300 toneladas de concentrado de urânio, além de fertilizantes fosfatados.
A INB também iniciou novas pesquisas geológicas em Caetité para ampliar o conhecimento das reservas e buscar maior autossuficiência na produção de concentrado de urânio.
Oportunidade estratégica
O desafio brasileiro é transformar grandes recursos minerais em produção efetiva, tecnologia e segurança energética. Com o aumento da demanda mundial por eletricidade e a expansão dos investimentos em inteligência artificial e data centers, o urânio pode ganhar importância estratégica.
O Brasil tem reservas relevantes, mas ainda precisa ampliar a mineração, resolver entraves regulatórios e ambientais e desenvolver sua cadeia nuclear para transformar esse potencial em benefício econômico e energético.
Em resumo: o urânio brasileiro pode servir para gerar eletricidade, produzir radiofármacos, atender aplicações industriais e científicas e reduzir a dependência externa de combustível nuclear. O problema não é a falta do mineral, mas a capacidade do país de explorá-lo de maneira economicamente viável, segura e ambientalmente responsável.