Hoje a gente associa dente branco a dinheiro e cuidado.
Mas houve uma época na história em que era exatamente o contrário.
Quanto mais rica a pessoa, mais podres e pretos eram os dentes dela.
E todo mundo queria isso.
Estamos na Inglaterra do século 16, no reinado da dinastia Tudor.
Naquele tempo, um ingrediente novo estava chegando da América e do Oriente e virando a coisa mais desejada do país, o açúcar.
Só que ele era importado e caríssimo, chegava a ser comparado a pérolas e especiarias raras.
Resultado, apenas os muito ricos podiam comprar.
E os ricos abusaram.
Encheram banquetes, bolos e até saladas de açúcar, sem fazer a menor ideia do estrago que aquilo causava na boca.
Como a odontologia praticamente não existia, os dentes da elite foram apodrecendo, caindo e ficando pretos.
Ou seja, a plebe, que não tinha grana pro açúcar, acabava com os dentes mais saudáveis que a nobreza.
O maior símbolo disso foi a própria Rainha Elizabeth I.
Viciada em doces, ela chegava a usar uma pasta feita à base de açúcar pra polir os dentes, o pior remédio possível.
Aos 65 anos, um viajante alemão que visitou a corte descreveu a rainha com os dentes pretos, culpando o exagero de açúcar dos ingleses.
Embaixadores estrangeiros diziam ter dificuldade de entender o que ela falava, de tantos dentes perdidos.
E aqui vem a parte mais surreal. Como os dentes escuros eram marca de quem comia açúcar, eles viraram sinal de status e riqueza.
Conta-se que gente de posição mais baixa passou a escurecer os próprios dentes de propósito, alguns esfregando fuligem, só pra dar a impressão de que também tinham dinheiro pra tanto doce.
Um lembrete de que padrão de beleza é pura invenção de cada época.
O que em um século é sinal de pobreza, no outro vira símbolo de luxo.
E vice-versa.