GRAVIDEZ PRECOCE: Estudo da ONU indica que uma em cada 24 adolescentes torna-se mãe no Brasil

Prevenção à gravidez na adolescência amplia oportunidades e evita que as jovens entrem na maternidade mais cedo

GRAVIDEZ PRECOCE: Estudo da ONU indica que uma em cada 24 adolescentes torna-se mãe no Brasil

Foto: Getty Images

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A gravidez não intencional na adolescência segue como um desafio de saúde pública no Brasil e os números dão uma dimensão do problema. Estudo feito pela UNFPA - Fundo de População das Nações Unidas mostra que aproximadamente uma em cada 24 adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos torna-se mãe a cada ano, o que representa mais de 1 milhão de meninas nessa faixa etária com filhos no país entre 2020 e 2022. 
 
 
Outro dado surpreendente do estudo do UNFPA é que a cada dois minutos, uma adolescente tem filho no Brasil. Quando analisada a exclusão de direitos, 68% das gestantes não são intencionais, e 78% são vítimas de estupros com até 17 anos de idade. O risco elevado de morte infantil nesse tipo de gravidez supera 50%. A prematuridade também foi avaliada com chance 1,5 vezes dos filhos nascerem com baixo.
 
 
Os dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) também indicam que cerca de 380 mil partos foram realizados por mães com até 19 anos no Brasil em 2020, correspondendo a 14% de todos os nascimentos naquele ano. Esses números mostram a persistência da gestação precoce como realidade para muitas adolescentes. 
 
Evasão escolar 
 
Especialistas enfatizam que grande parte dessas gravidezes não é planejada e está associada à falta de acesso à informação de qualidade, métodos contraceptivos, educação sexual, proteção contra violência e desigualdades sociais. Quando meninas engravidam muito jovens, as consequências vão além da saúde: há maior probabilidade de evasão escolar, menores oportunidades no mercado de trabalho e limitações para construir sua autonomia. 
 
Caminhos para prevenção e proteção
 
A prevenção, no entanto, tem caminhos conhecidos e efetivos. O estudo indica que a educação integral em sexualidade na escola, combinada com acesso a serviços de saúde voltados à adolescência, proteção contra violência e igualdade de oportunidades, tem se mostrado crucial. Essas ações ajudam meninas a permanecerem nos estudos, desenvolverem autonomia e ampliarem seus projetos de vida, adiando a maternidade para a vida adulta algo que está ligado a melhores condições de saúde, maior renda e mais decisões ao longo da vida.
 
Programa “De Novo Não” em Porto Velho
 
Em Porto Velho, Rondônia, há um exemplo prático de enfrentamento do problema. A Maternidade Municipal Mãe Esperança promove o programa “De Novo Não”, voltado especialmente para reduzir a reincidência da gravidez entre adolescentes que já tiveram filhos. O projeto oferece planejamento familiar, orientação e acesso a métodos contraceptivos após o parto, além de acompanhamento para apoiar que essas jovens retomem seus estudos e evitem novas gestações precoces, fortalecendo sua autonomia e perspectivas de futuro.
 
Importância de políticas integradas
 
Investir na prevenção da gravidez na adolescência significa investir em desenvolvimento humano e igualdade de oportunidades. Ao assegurar que meninas estejam informadas, amparadas e protegidas, o país não apenas transforma trajetórias individuais, mas constrói bases mais sólidas para uma sociedade com menos desigualdades e mais escolhas para os jovens.
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