Mas estas mudanças geralmente ocorrem nos últimos dias de campanha, difíceis de serem captadas pelas sondagens eleitorais
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Ambicionar a Presidência da República já foi a maior aspiração de qualquer líder político brasileiro. O presidente nomeava milhares de amigos e parentes, era chefe de partido, de governo e de Estado e tomava decisões. O verbo está no passado porque hoje o presidente só nomeia: se é chefe de partido, não é seu partido que realmente governa, aplicando um programa. Nomeia muito, mas nem sempre por sua vontade, refém de arranjos para não perder o poder. Já não toma as decisões que deseja, mas as que o Centrão permite, por meio de suas bases no Congresso.
Na atualidade, o presidente pode falar o que quer, mas não fazer o que pretende. Lula é um tigre na campanha eleitoral, gritando slogans partidários, soberanos e nacionalistas, mas nos bastidores do governo é um gatinho ansioso para escapar das chineladas do presidente gringo Donald Trump. As palavras não correspondem a ação. Mas não é culpa dele, que não tem saída: qualquer outro em seu lugar faria o mesmo – um mar de nomeações de amigos, mas decisões apenas as autorizadas pelo Centrão.
É balela, nesse caso, que trocando o presidente o país vai mudar. A política seguirá balizada pelo Centrão e a economia ditada pela conjuntura mundial, com a Amazônia no pacote. Eleger o presidente, pois, não significa mais conceder o poder nacional a uma pessoa. O poder nacional está nas mãos dos deputados e senadores, mas nem todos. Só os ligados ao Centrão.
A poucos dias da eleição de outubro, projeta-se um pleito em dois turnos, com o senador Marcos Rogério (PL-RO) na ponteira e os candidatos, o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD) e o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves brigando ombro a ombro pela segunda vaga a próxima etapa da eleição. Mesmo com o jovem candidato do MDB Pedro Abib roubando muitos votos de Hildon Chaves na capital, a previsão é de uma grande vitória de Hildão em Porto Velho e deve obter uma boa diferença em cima de Rogério e Fúria na região metropolitana. Também se constatou um avanço de Adailton Fúria na Bacia Leiteira, onde tem apoio do poderoso Grupo Gonçalves.
Os candidatos fazem as contas nesta reta final. O senador Marcos Rogerio, com apoio da família Bolsonaro quer ampliar a vantagem em redutos bolsonaristas, como Ariquemes e o Vale do Jamari e Vilhena e Cone Sul rondoniense, regiões tradicionalmente conservadoras. Sendo bem-sucedido neste movimento, Rogério e sua equipe acreditam que será possível definir a eleição ainda no primeiro turno. Do lado de Adailton Fúria, se espera que ocupe a segunda vaga ao segundo turno, alinhado aquela encenação que se afastou do governador Marcos Rocha. Também projeta chegada no segundo turno o ex-prefeito da capital Hildon Chaves. Pesquisa atual dá conta Hildon no segundo turno graças a um resultado expressivo na capital.
Tão frequente em Rondônia, as grandes viradas nas eleições ao governo estadual – com direito a efeito manada – ainda não deram sinal nas pesquisas. Mas estas mudanças geralmente ocorrem nos últimos dias de campanha, difíceis de serem captadas pelas sondagens eleitorais. A grande verdade é que é muito difícil de detectar se nesta temporada teremos grandes reviravoltas. No momento se considera impossível alguém roubar a ponteira do senador bolsonarista Marcos Rogerio. Também não será zebra Hildão ou Fúria chegar ao segundo turno. Zebras mais possíveis? O professor universitário Pedro Abib (MDB), seria uma possível zebra.
Na corrida ao Senado, com duas cadeiras disponíveis para a renovação, quatro candidatos chegam na reta final com chances de garantir presença no Congresso Nacional. São eles Fernando Máximo e Mariana Carvalho, com domicilio eleitoral na capital, e o ex-senador Acir Gurgacz e a atual deputada federal Silvia Cristina, com redutos na região central. É uma disputa empolgante e opino que da capital sairá com um senador (a) e da BR um outro (a). Mas é claro que não se descarta nada, até duas mulheres pela primeira vez chegando ao Senado, o que seria uma enorme reviravolta nas urnas rondonienses cujos eleitores são considerados conservadores.
As grandes surpresas da temporada virão das eleições a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Os parlamentos rondonienses, instalados na ALE e na bancada federal, estão saindo muito desgastados dos atuais mandatos, falhando miseravelmente nas ações de fiscalizações ao poder executivo. Nossos deputados federais e senadores dormiram de touca na questão do pedagiamento na BR 364, na briga pela redução dos preços das tarifas aéreas e pouco ajudaram com suas emendas parlamentares os governos estadual e municipais. Falando francamente, os deputados federais e estaduais só pensaram mesmo no próprio umbigo.
*** Depois de um período de turbulências causado pelo divisionismo do partido o MDB fechou em torno da candidatura de Pedro Abib ao governo do estado *** Em carta aberta, o ex-ministro Amir Lando convocou a militância do partido para cerrar fileiras em torno do projeto emedebista *** Sabe-se que outras lideranças também estão se preparando para entrar em ação na busca de uma nova reviravolta do MDB, com a participação do ex-governador Valdir Raupp, da ex-deputada federal Marinha Raupp e do ex-prefeito Tomás Correia *** É a candidatura de Abib encorpando nesta reta final d campanha.
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