Hoje vamos misturar a história de um colecionador de discos antigos e os dramas vividos por personagens de um dos melhores filmes realizados. Música e cinema da melhor qualidade para ouvir sempre e assistir e rever com os olhos da alma e do coração.
Primeiro vamos falar do baiano Jorge Cravo, que viveu na movimentada Nova York dos anos 1940 e acabou por agregar uma fabulosa coleção de discos e de histórias, compartilha suas memórias no livro "Caçador das Bolachas Perdidas - as incríveis incursões de um brasileiro pelo front da música popular e do futebol nos anos 40 e 50", lançado pela Editora Record, em 2002.
Em plena época de Ouro da Música norte-americana, Cravinho, como era conhecido, foi estudar nos Estados Unidos, e teve a oportunidade de assistir a todos os grandes cantores, instrumentistas e orquestras que estavam em atividade, inclusive chegando a assistir a três performances de Billie Holiday em uma única tarde.
No livro de memórias, Jorge Cravo conta de sua amizade e convivência com os mais importantes músicos brasileiros que passavam ou moravam em Nova York naqueles anos. Entre eles, o inesquecível Lúcio Alves, que o apresentou à Carmen Miranda.
De volta ao Brasil, Cravinho conheceu João Gilberto, com quem conviveu muito ao longo dos anos. Essa preciosa amizade, inclusive, lhe proporcionou uma inesquecível première das músicas que viriam a compor o disco Chega de Saudade.
Na terceira parte de O Caçador das Bolachas Perdidas, o autor elabora um guia discográfico para os fãs da grande música norte-americana do Século XX, recomendando ao leitor os discos indispensáveis para quem quiser montar uma bela coleção.
Pode-se dizer que Cravinho conheceu de perto o melhor de dois mundos e os leitores poderão sentir este prazer ao ler seu livro, cujo prefácio foi escrito pelo biógrafo, escritor e jornalista Ruy Castro, outro manancial de informações sobre música, seja samba, bossa nova ou jazz, livros e filmes. O prazer já começa pelo prefácio e segue até a última página de O Caçador das Bolachas Perdidas.
Outros títulos seguem a mesma linha de O Caçador das Bolachas Perdidas, com esse tom de memória afetiva + música + bastidores Chega de Saudade, a História e as Histórias da Bossa Nova; Noites Tropicais, de Nelson Motta, entre outras obras que possuem o DNA da saudade, música como salvação, histórias de quem viu os gênios de perto e transformou isso em coleção.
Agora, o assunto é cinema dos bons. Em 1946, o cineasta William Wyler realizou um dos melhores longas-metragens de sua carreira. O clássico drama de guerra The Best Years of Our Lives, no Brasil, Os Melhores Anos de Nossas Vidas, vencedor de nada menos que sete Oscar, mais um honorário.
Cartaz de Os Melhores Anos das Nossas Vidas
Melhor Filme, Diretor para William Wyler, Ator para Fredric March, Ator Coadjuvante para Harold Russell, que fez apenas dois filmes e realmente usava ganchos no lugar das mãos. O longa levou ainda os Oscar de Montagem, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora Original. Harold Russell recebeu também um Oscar Honorário "por trazer esperança e coragem aos veteranos".
O filme, um campeão de bilheteria na época, tem um elenco de ótimos atores e atrizes. Fredric March como Al Stephenson, o banqueiro; Dana Andrews como Fred Derry, o ex-capitão; Harold Russell como Homer Parrish, o marinheiro; Myrna Loy como Milly Stephenson; Teresa Wright como Peggy Stephenson; Virginia Mayo como Marie Derry; e Cathy O'Donnell como Wilma Cameron. Outro ponto alto é a bela fotografia em preto e branco de Gregg Toland, de Cidadão Kane.
Traumas de guerra, preconceito, alcoolismo e crises conjugais são alguns dos temas explorados com maestria por Wyler neste comovente drama que acompanha o retorno de três veteranos para casa. Al, o banqueiro bem-sucedido com problemas de bebida que se recusa a aceitar que é alcoólatra. Fred, um ex-oficial cuja esposa só o quer de uniforme. E Homer, o marinheiro que perdeu as mãos durante um bombardeio e precisa se adaptar à nova vida com a família e sua noiva Wilma.
Os destinos desses personagens se cruzam e seus dramas pessoais e profissionais se intensificam. A guerra acabou, mas para eles ainda há muitas batalhas para enfrentar.
Harold Russell é o único ator a ganhar dois Oscar pelo mesmo papel. Russell perdeu as mãos na guerra de verdade e nunca foi ator profissional. Fez só mais um filme. Os melhores anos das nossas vidas foi o filme mais lucrativo da década de 1940 nos Estados Unidos, atrás apenas de E o Vento Levou na época.
Cenas de Os Melhores Anos das Nossas Vidas
William Wyler ganhou três Oscar de Melhor Diretor. O primeiro foi em 1943, por Mrs. Miniver. O segundo em 1947 por Os Melhores Anos de Nossas Vidas e em 1960 por Ben-Hur, que bateu o recorde com 11 Oscars, marca que só foi igualada por Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.
Wyler é o diretor mais indicado da história na categoria Melhor Diretor, com 12 indicações. Ninguém dirigiu mais atores a indicações ao Oscar: 36 no total, com 14 vitórias.
Os atores principais de Os Melhores Anos das Nossas Vidas: Harold Russell, Dana Andrews e Fredric March
Outras indicações dele como diretor sem vencer: Dodsworth 1936, O Morro dos Ventos Uivantes,1939, A Carta,1940, A Pequena Raposa 1941, Herança da Carne, 1949, Um Caso de Amor, 1951, A Princesa e o Plebeu, 1953 e O Colecionador, 1965. Wyler também recebeu o Irving G. Thalberg Memorial Award em 1965 pelo conjunto da obra.