Rogério demonstra inteligência e a capacidade de articulação que não tiveram os deputados quando aprovaram uma moção de repúdio
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Há duas coincidências bem visíveis entre as promessas feitas pelos candidatos à Presidência em relação à Amazônia: em geral são propostas muito semelhantes, quando não iguais, ou já são praticadas, em maior ou menor grau, por todos os governos do país desde o fim da ditadura, na década de 1980.
São promessas perfeitas, pois não se arriscam a ser contrariadas. É como se dizer “brasileiro” e “patriota”: ninguém vai contrariar alguém por nascer no país e lhe dar respeito. Mais importante que prometer coisas para a Amazônia, porém, é enfrentar os problemas aproveitando os variados recursos naturais e enfrentar com cuidado o desafio da infraestrutura, que requer ousadia para fazer e força para proteger. Não se pode só ousar, é preciso força.
Os maiores defeitos das eleições brasileiras são, primeiro, que o povo não escolhe os candidatos; segundo, o eleito não tem obrigação alguma de cumprir o que prometeu. Os eleitores não têm influência sobre as convenções partidárias que definem os candidatos, sobretudo para os mandatos legislativos.
Não precisar cumprir o prometido beneficiou Collor de Mello: ele foi eleito para evitar que o governo metesse a mão no dinheiro do povo e no mesmo dia que assumiu confiscou as contas de todos com a promessa de logo devolver o dinheiro. As promessas, portanto, de pouco ou nada valem. O que vale é pressionar para que o melhor seja feito com o mínimo de custos e prejuízos.
Na história política do estado de Rondônia, criado em 1981, já tivemos oito governadores eleitos pelo voto direto e o oitavo, eleito em 4 de outubro em primeiro turno, o Senador Marcos Rogério tomará posse em janeiro. O primeiro pelo voto direto foi Jeronimo Santana, que tinha sido deputado federal e prefeito de Porto Velho, eleito em 1986. Até então os governadores eram nomeados, casos de Jorge Teixeira desde os idos do território e Ângelo Angelim, o segundo governador na era estado. Pelo voto direto, além de Jeronimo Santana, foram eleitos Oswaldo Piana Filho (90), Valdir Raupp (94) José Bianco (98) Ivo Cassol (duas vezes -2002/2006), Confúcio Moura (2010/2014 também reeleito), e o coronel Marcos Rocha (2018/2022 )igualmente com reeleição) que encerra seu mandato em janeiro. Vejam abaixo, os govenadores.
O primeiro governador eleito pelo voto direto, em 1986, o goiano Jeronimo Santana, conhecido popularmente como Bengala (MDB) já tinha sido deputado federal e prefeito de Porto Velho. Deixou a municipalidade para disputar o governo estadual, tendo como rival o senador Odacir Soares (PDS) que pilotou uma chapa poderosa, já que seu vice era o deputado estadual mais votado e o primeiro presidente a Assembleia Legislativa José Bianco. Mas os ventos da política tinham mudado na era Tancredo Neves e Bengala então chegaria ao Palácio Presidente Vargas, antiga sede do governo estadual entronizando a esquerda no poder estadual com um ex-militante do MR-8. O vice de Jeronimo era Orestes Muniz. Bengala foi eficiente na construção da malha viária rondoniense.
O deputado estadual Oswaldo Piana Filho, de linha conservadora, egresso do PFL, ingressando num dos partidos apoiados por Collor de Melo, foi o segundo governador eleito pelo voto direto num embate com o vice-governador Orestes Muniz (MDB) e Valdir Raupp de Matos (PRN). Piana chegaria ao segundo turno em vista do assassinato do senador Olavo Pires (PTB), já que tinha ficado em terceiro lugar no primeiro turno. Com o que aconteceu, Piana foi ao segundo turno com Valdir Raupp e ganhou a eleição. Seu vice era o deputado federal Assis Canuto. O apoio dos caciques Chiquilito Erse, prefeito de Porto Velho e Jose Bianco prefeito de Ji-Paraná foi decisivo no resultado.
De volta ao MDB, depois a derrota em 1990, o ex-prefeito de Rolim de Moura, Valdir Raupp, projetado politicamente no governo Jeronimo Santana no comando do DER, seria protagonista de uma virada histórica na política rondoniense. Derrotou o favoritíssimo Chiquilito Erse liderando uma grande aliança, batizada de “Rondônia com Fé” reunindo uma penca de paridos da direita. Raupp, da centro esquerda, como Jeronimo Santana, levaria a melhor na peleja já equilibrando a eleição no primeiro turno e sacramentando a vitória no segundo. Seu vice-governador foi Aparício Carvalho, que já tinha sido vereador e deputado federal por Porto Velho.
Ex-deputado estadual mais votado e ex-presidente da Assembleia Legislativa, e ex-prefeito de Ji-Paraná, Jose Bianco também daria uma virada na eleição trazendo de volta os conservadores ao poder estadual. Até poucos meses do pleito estava em quarto lugar nas pesquisas e o que se dizia na época era um segundo turno entre o governador Valdir Raupp, o grande favorito, contra o ex-prefeito de Vilhena, Melki Donadon. Mas Bianco, com uma grande atuação na prefeitura de Ji-Paraná, foi o escolhido pelos rondonienses. Seu vice foi o deputado federal Miguel de Souza e na sua gestão se viu obrigado a promover as celebres demissões para enxugar os quadros do governo estadual por exigência do governo federal. O estado trazia vícios do território e contava com comissionados graúdos morando no exterior e pagos pelo estado.
Com o projeto de reeleição comprometido pelas demissões do funcionalismo, José Bianco perderia o pleito em 2002 na busca da reeleição para o ex-prefeito de Rolim de Moura, Ivo Narciso Cassol, também seguindo na sua gestão numa versão conservadora no estado. Ivo Cassol e seu aliado Expedito Junior eram afilhados políticos de Bianco, que foram dissidentes e levaram a melhor. Com grande performance administrativa, principalmente no setor rodoviário, Cassol seria reeleito, tendo como vice o também Rolimorense João Cahula. Cassol deixaria o governo estadual para disputar ao final do segundo mandato cargo ao Senado, no que foi bem-sucedido também.Cahula, então assumiria o Palácio Presidente Vargas.
Num embate com o então governador João Cahula e o deputado federal Expedito Junior –este era considerado o favorito naquele pleito de 2010 – o ex-deputado federal e ex-prefeito de Ariquemes Confúcio Moura colocaria novamente o MDB no poder, com a volta da centro-esquerda. Quando todos esperavam um confronto entre Confúcio e Expedito, João Cahula acabou entrando no segundo turno. O afilhado de Cassol mesmo com um bom final de gestão, acabou derrotado por Confúcio que iniciou a eleição bem abaixo nas pesquisas. Seu vice foi o empresário Airton Gurgacz (PDT). Confúcio foi eleito e reeleito já desfrutando do novo CPA deixando o cargo para disputar o Senado na segunda gestão, onde teve Daniel Pereira como vice.
Beneficiado pela onda bolsonarista que tomaria conta de Rondônia a partir do final da década passada o coronel Marcos Rocha (PL) foi eleito e reeleito, marcando o retorno da linha conservadora no governo estadual. Na sua primeira eleição, virou sobre o ex-senador Expedito Junior, o grande favorito que disputou, mas que caiu no segundo turno com o candidato do MDB, o presidente da Assembleia Legislativa Maurão de Carvalho derrotado por Confúcio. Na segunda eleição em 2022, Rocha derrotou o grande favorito, o senador Marcos Rogério, um dos ícones bolsonaristas em todo território nacional. Foram Duas vitórias de virada. Em outubro não conseguiu emplacar seu sucessor, o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria. No pleito, por divergências, Rocha rejeitou apoiar seu vice, Sergio Gonçalves.
Chegamos em 2026 com a eleição do senador Marcos Rogério ao governo de Rondônia, tendo como seu vice o delegado Camargo, um dos deputados estaduais mais atuantes na Assembleia Legislativa de Rondônia. Rogerio e Camargo foram beneficiados por uma nova onda bolsonarista e ganharam a parada em primeiro turno contra os ex-prefeitos mais bem avaliados no estado, casos de Adailton Fúria, de Cacoal e Hildon Chaves, de Porto Velho. Na mesma onda conservadora, o PL elegeu os dois senadores- Fernando Máximo e Bruno Scheidt – 22 dos 24 deputados estaduais e toda a bancada dos deputados federais que contava com oito vagas em disputa..
*** O governador eleito, o senador Marcos Rogério (PL) sinalizando a busca de uma gestão republicana com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, reconheceu a vitória do mandatário petista *** Rogério demonstra inteligência e a capacidade de articulação que não tiveram os deputados estaduais rondonienses quando aprovaram uma moção de repúdio ao presidente da República, numa demonstração de fanatismo ao bolsonarismo ***Já, com relação ao prefeito de Porto Velho Leo Moraes, este não terá dificuldades na interlocução com a esfera federal já que na sua aliança vencedora em 2024 contava com apoio de petistas e emdebistas na sua composição partidária.
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