A abertura do Colóquio de Comunicação e
Cultura na Amazônia Rondoniense (Canoar 2026), realizada no Teatro Banzeiros em Porto Velho (RO) nesta segunda-feira (21), reuniu pesquisadores, comunicadores e representantes do sistema de justiça para debater o acesso às tecnologias de informação e as desigualdades regionais. O painel de abertura teve participação dos jornalistas Elaíze Farias e José Gadelha e da promotora de Justiça do Ministério Público de Rondônia (MPRO) Valéria Canestrini, sob mediação de Ana Laura Gomes, egressa do curso de Jornalismo e coordenadora de comunicação da associação Kanindé. A mesa discursou sobre a relação entre infraestrutura comunicacional, direitos humanos e preservação ambiental.
O professor do curso de Jornalismo e pesquisador da
Fiocruz Rondônia, José Gadelha, apresentou a comunicação como um direito humano dividido entre o acesso à informação e a garantia de voz às populações tradicionais. Segundo o pesquisador, a falta de canais de escuta institucionais isola as comunidades ribeirinhas das decisões sobre políticas públicas essenciais, como saúde e educação. Gadelha declarou que
"quando não se tem constituídos espaços de escuta para suas demandas, quando não se pode falar e não se é ouvido, os interesses dos que estão no poder falam mais alto em detrimento dos interesses das minorias".
A jornalista e cofundadora da agência Amazônia Real, Elaíze Farias, tratou dos desafios logísticos e éticos da cobertura jornalística independente em territórios indígenas e ribeirinhos de Rondônia e do Amazonas. A palestrante ressaltou que a produção de
reportagens investigativas na região exige a adaptação dos métodos de apuração às tecnologias disponíveis no interior da floresta, como o uso frequente de áudios em aplicativos de mensagem. Farias afirmou que
"fazer reportagem na Amazônia não tem a ver só com a falta de conforto ou a falta de estrutura, mas principalmente com o valor humano".
A promotora de justiça e coordenadora do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (GAEMA) do
MPRO, Valéria Canestrini, destacou a dimensão transfronteiriça dos problemas ambientais e as escolhas necessárias para o uso de tecnologias digitais na região. A promotora enfatizou que os processos ecológicos e os impactos do desmatamento ultrapassam os limites jurídicos de municípios e estados. Canestrini argumentou que
"Amazônia é território, Amazônia é clima, Amazônia é sociedade, Amazônia é soberania", acrescentando que
"a nossa geração enfrenta o desafio de escolher se usaremos a tecnologia para explorar ou para proteger".
O debate de abertura do evento reforçou a necessidade de integrar as agendas ambiental e tecnológica no planejamento de políticas públicas para o estado de Rondônia. As discussões do Canoar continuam durante esta semana.
Rondoniaovivo é parceiro do evento e vai acompanhar a programação.
Programação
A sequência da programação reúne oficinas temáticas, painéis de debate, mostras audiovisuais e exposições acadêmicas distribuídas entre o Sesc Centro Cultural e o Teatro Banzeiros.
As atividades continuam nesta terça (22) com oficinas simultâneas voltadas a técnicas de apuração jornalística, construção de narrativas e edição. Na quarta (23), o painel aborda a comunicação comunitária e as formas de resistência sociocultural em Rondônia, reunindo lideranças indígenas e de movimentos sociais.
A quinta (24) reserva a programação do "Dia D - Dia de Descolonizar", dedicada à exibição de produções audiovisuais regionais. O evento se encerra na sexta-feira (25) com a apresentação de pesquisas acadêmicas do III Seminário Público de Pesquisa do PPGCOM/UNIR e uma apresentação de dança.