No retrato de 2019, Veroneide Alves da Silva sorridente em meio ao colorido das chitas de São João, no ginásio da Escola Municipal Doutor Geraldo Tenório Silveira, em Anadia, Alagoas. Vestida de simplicidade como sua personalidade calma, carregando a cultura e o afeto pela profissão. Entre danças, comidas típicas e tradições, ela parece ser mais que uma professora — é parte da festa, da escola e da comunidade. É a tia Vera.
No ano de 2025, Veroneide completou 25 anos como professora de sala de aula. E ela faz questão de dizer assim: "professora de sala de aula" — com ênfase no chão, na lousa, nas crianças. Porque não quis seguir outros caminhos da educação que a afastasse desse contato. “Tem muito professor que vira coordenador, diretor... Eu, não. Eu sou de sala”, ela enfatiza.
Mas a estrada até ali começou diferente. Por uma década, ela foi escriturária na Secretaria de Educação do município, de 1986 a 1996. Dez anos ajudando, entre papéis e carimbo, até que veio o concurso. Ela prestou, passou e aguardou ser chamada, desde então, nunca mais saiu da sala — nem quis. “É cansativo, estressa, mas é prazeroso, bem gratificante”, conta, com a serenidade de quem ama o que faz, mesmo com as dificuldades.
Na escola, Vera encontrou sua missão. Trabalhar com crianças de 6 e 7 anos. Ensinar a ler, escrever, contar. Ensinar também a olhar, escutar, partilhar — aquilo que não entra no currículo, mas se aprende com o afeto. “Ensinar a base é o mais importante”, diz ela. E fala com a convicção de quem sabe que é nesse começo que se constrói o futuro.
A formação começou cedo, ainda no ensino médio, quando fez o magistério, e voltando ao ensino médio para também fazer o científico. “Naquela época, a escola era um prazer, quase um lazer, era muito bom.
Depois da aula a gente ia pra pracinha, conversar e brincar” ela relata. Não havia ensino superior na cidade, a capital era longe, mais difícil. Mas anos depois, com a regulamentação do ensino infantil, ela voltou a estudar e fez a graduação em Pedagogia. Porque ensinar exige reaprender, sempre.
Veroneide Alves é dessas mulheres que ajudam a construir o mundo em silêncio, com a caneta na mão e o coração e ouvidos abertos, atenta, pronta. Ela é uma das inúmeras educadoras que não aparecem nos jornais, mas transformam realidades todos os dias, uma criança por vez, uma classe a cada ano. E já se vão 25 anos.
E nessa fotografia junina, entre chitas e enfeites, está também à história de quem fez da sala de aula o seu lar — e da educação, sua roupa mais bonita.
Perfil escrito a partir de relatos de registros fotográficos de Veroneide Alves da Silva, 57 anos, professora, em entrevista concedida no dia 26 de maio de 2025.
Amelia Neves é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
As fotografias fazem parte do acervo pessoal da entrevistada.