CIDADE DOS MORTOS: Série russa é a pandemia em ritmo de extermínio mortal - Por Marcos Souza

Não se engane pela capa, não se trata de mais uma série copiada de “The Walking Dead” focando em contaminação e extermínio

CIDADE DOS MORTOS: Série russa é a pandemia em ritmo de extermínio mortal - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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Revi essa série e ela não perdeu o seu impacto, continua muito boa e, por incrível que pareça, foi feita para a web. "Cidade dos Mortos", traduzida de "To the Lake" ou "Epidemic", foi apresentada pela primeira vez na plataforma russa Premier, em novembro de 2019.
 
 
A repercussão foi tão boa, sendo prestigiada em Cannes como série televisiva, que a Netflix acabou adquirindo-a para o seu catálogo e a lançou em outubro de 2020.
 
Não se engane pela capa, não se trata de mais uma série colada na popular "The Walking Dead", com zumbis.
 
É outra situação: aqui existe uma infecção, uma pandemia que se alastra pela Rússia, que começa com uma gripe bastante forte, sintomas de febre, dor de cabeça, falta de ar e muita tosse.
 
Em seu estágio avançado, os olhos ficam vermelhos e a pessoa sucumbe — morre... E não, não vira zumbi.
 
O perigo aqui são as pessoas e, principalmente, as milícias do exército russo, que exterminam pacientes ou suspeitos de estarem contaminados de forma indiscriminada, promovendo massacres em vilarejos e cidades próximas de Moscou.
 
A série foca em duas famílias distintas, com dramas pessoais, que acabam se unindo diante das circunstâncias e do desespero, quando percebem que a pandemia avança na vizinhança e descobrem, da pior forma possível, que membros do exército russo, que deveriam proteger a comunidade, estão matando, saqueando casas e barbarizando mulheres.
 
Sergey (Kirill Käro) é o personagem central e quem conduz todos a buscar um local para se protegerem. Ele vive com a sua atual namorada, a psicóloga Anna (Wiktorija Issakowa), e divide a guarda do filho pequeno, Anton, com a ex-mulher Irina (Mariana Timofejewna) — que não se conforma com a recente separação e vive provocando, buscando intrigas.
 
Anna tem um filho adolescente, Misha (Eldar Kalimulin), que é autista, e mantém uma espécie de diário, onde vai colocando suas impressões e segredos de toda a situação que está vivendo.
 
A outra família é formada pelo rico e machista Leonid (Aleksandr Robak) e sua namorada, bem mais nova e grávida, a ex-stripper Marina (Natalya Zemtsova), e sua filha adolescente, a problemática e alcoólatra Polina (Viktoriya Agalakova, linda e em seu grande momento). Por coincidência, ela deixa a reabilitação no dia em que a epidemia foge do controle e toma proporções inesperadas.
 
 
Quando o pai de Sergey aparece inesperadamente em sua casa para falar da trágica pandemia que está tomando conta da Rússia, com alguma resistência, as duas famílias se unem para ir a um local que fica localizado em um lago. Numa região inóspita, onde todos podem viver bem e escondidos.
 
A série tem suspense, drama, segredos obscuros nas tramas pessoais de cada um dos personagens e aí está o famoso "pulo do gato", pois o primeiro episódio, em que apresenta os personagens, se perde um pouco em clichês, mas segura por causa do carisma e nos deixa envolvidos.
 
A relação entre os personagens é tensa, porém os conflitos devem ser superados quando eles se veem em uma situação apocalíptica, com o governo segurando informações sobre a gravidade da contaminação, levando-os ao limite do desespero.
 
É interessante termos os flashbacks de alguns personagens, que vão desconstruindo as relações e desvendando segredos. Principalmente com Sergey e suas mulheres.
 
Outro detalhe é a relação de Polina com Misha, que vai ter contornos dramáticos em um dos episódios, quando a família dela fica à mercê de uma psicopata na floresta.
 
A série tem reviravoltas inesperadas que acabam nos prendendo, pois percebemos que não é propriamente terror, mas uma situação dramática irreversível para os envolvidos. Em alguns momentos, não faz concessão e sua violência explícita surpreende, com detalhes de tirar o fôlego.
 
Se você se interessou, prepare-se para ver um programa muito bem realizado, com uma fotografia espetacular, direção e edição muito criativas, trilha sonora moderna. O roteiro é engenhoso em alguns episódios, quando os personagens se separam em determinado momento e são criadas situações que exploram a capacidade de sobrevivência deles.
 
Grande sucesso na Netflix, "Cidade dos Mortos" tem um dos melhores ganchos de chamada para a segunda temporada, que foi lançada em 2022, com produção independente em oito episódios. Porém, não foi incorporada ao catálogo da Netflix no Brasil. Uma lástima.
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