ARTIGO: Se depender de Rondônia, o quarto mandato de Lula poderá terminar mais cedo

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Diz o velho ditado que o diabo, para divertir-se com a política, inventou as coligações. No plano nacional, o presidente Lula tenta equilibrar pratos chineses unindo gregos e troianos. Mas, se o chefe do Executivo quiser antever o tamanho da sua dor de cabeça em um eventual quarto mandato, não precisa olhar para Brasília; basta dar uma espiada em Rondônia. Às vésperas das convenções partidárias, a chamada "frente ampla" local comporta-se com a harmonia de uma orquestra na qual cada músico resolveu tocar um hino diferente.
 
Nem sempre foi assim. Houve um tempo, quase mítico, em que a Federação Brasil Esperança (PT, PV e PCdoB), o PSB, o PDT e o MDB falavam a mesma língua. Em 2010, essa junção de siglas operou o milagre de sagrar Confúcio Moura governador, tendo o pedetista Airton Gurgacz na garupa e o apoio fervoroso — no segundo turno, claro — de petistas e pessebistas, órfãos da candidatura do saudoso Eduardo Valverde.
 
A dose foi repetida com sucesso em 2014. Confúcio reelegeu-se, trazendo Daniel Pereira (então no PSB) como vice e o PDT no apoio, garantindo a Acir Gurgacz uma votação histórica para o Senado. Naquela época, a esquerda e o centro locais caminhavam de mãos dadas, felizes e vitoriosos em direção ao horizonte.
 
Aí veio o vírus da divisão.
 
Nas eleições seguintes, a unidade virou lenda urbana. Em 2018, o MDB resolveu lançar dois candidatos ao Senado (Confúcio e Valdir Raupp), enquanto o PSB, não querendo ficar atrás na festa, lançou Jesualdo Pires. O resultado? Quase conseguiram a proeza da derrota total, com a sobrevivência apenas de Confúcio Moura, que sentiu o bafo de Jaime Bagatoli na nuca. Foi o início de uma erosão partidária digna de nota.
 
Para 2026, o que era erosão anuncia um desabamento. O bom senso, ao que parece, tirou férias prolongadas. MDB, PT e PSB decidiram que o melhor caminho para a vitória é irem todos separados. Para o Senado, temos Confúcio pelo MDB, Acir pelo PDT e Luciana pelo PT. Para o Palácio Rio Madeira, a história se repete: Pedro Abib (MDB), Samuel Costa (PSB) e Expedito Neto (PT) disputam o mesmo eleitor — além de outras candidaturas por legendas distintas de esquerda.
 
O diagnóstico para esse engarrafamento de vaidades é óbvio: Confúcio corre o risco real de ver sua vaga no Senado evaporar, e as candidaturas ao governo tendem a ser devoradas, sem sal, pelos candidatos de centro-direita. Na Câmara Federal, a situação é ainda mais tragicômica. Os partidos correm para atingir o quociente eleitoral, mas, no processo, fulminam qualquer chance real de eleger um deputado federal sequer. Até o PT, que desde 1986 mantinha a tradição de eleger dois deputados estaduais, hoje patina para arranjar companhia para a deputada Cláudia de Jesus — uma estrela solitária a brilhar na atual legislatura estadual.
 
Se esse desmantelo ficasse restrito às fronteiras de Rondônia, seria apenas folclore local. O problema é o Palácio do Planalto. Se Lula for reeleito, corre o risco de encontrar uma bancada rondoniense com onze parlamentares de faca nos dentes, prontos para apeá-lo do cargo na primeira curva da estrada.
 
O cenário é assustador, mas a saída é de uma simplicidade franciscana. Bastaria um choque de pragmatismo. Das três candidaturas ao Senado, ficam duas (já que duas vagas estarão em jogo). Dos três candidatos ao governo, sobra apenas um. Quem ficasse de fora da chapa majoritária receberia o apoio para a nominata federal, concentrando forças para eleger alguém capaz de dar sustentação ao quarto mandato do operário-presidente.
 
A ideia está lançada. Sei que a engenharia política é complexa e, como diz a fábula, ninguém quer ser o voluntário para amarrar o guizo no pescoço do gato. Mas que ninguém diga que eu não tentei ajudar.
 
* Daniel Pereira. Advogado, ex-militante do PT e do PSB, hoje no PV — e sobrevivente, com algumas cicatrizes de guerra, da disputa ao governo em 2022.
Direito ao esquecimento
Selmir Welke - há 4 horas
O vírus da divisão na verdade virou o antidoto contra o vírus Ptralha. Rondonia está curada, mas como esse vírua é muito resistente ainda está causando inflamações no resto do país. Mas com o remédio da verdade, eles também vai se curar, nem com os bilhões injetados na extrema imprensa será capaz de fazer esse vírus esquerdizante se replicar novamente.
Denisson Paglia - há 4 horas
Se depender do Rondoniense o PT será extinto, mas infelizmente tem gente q vota nessa partido das trevas, Confúcio pode achar outra coisa pra fazer pq não ganha nem pra presidente de bairro depois de apoiar o governo federal e colocar a conta no rabo do eleitor rondoniense.

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